Diante do cenário climático projetado para o segundo semestre de 2026, o Governo do Rio Grande do Sul está ampliando as ações de preparação para os possíveis impactos do fenômeno El Niño. Em reunião realizada nesta semana no Centro Administrativo Fernando Ferrari (Caff), o governador Eduardo Leite se encontrou pela segunda vez com a equipe da Defesa Civil Estadual para acompanhar o andamento das iniciativas e definir os próximos passos da estratégia de prevenção.
Segundo o governador, o Estado está atuando com planejamento, integração entre os órgãos públicos e embasamento técnico para reduzir riscos e fortalecer a capacidade de resposta dos municípios diante de eventuais eventos climáticos extremos.
“Estamos trabalhando com antecedência para que o Rio Grande do Sul esteja mais preparado para enfrentar os impactos do El Niño. A experiência recente mostrou que a prevenção salva vidas, reduz danos e permite respostas mais rápidas e eficientes. Por isso, estamos mobilizando toda a estrutura do Estado e apoiando os municípios para que possam agir antes que as emergências aconteçam”, afirmou Eduardo Leite.
A próxima etapa do programa será a realização de um seminário no dia 17 de junho, voltado a 70 municípios que integram a Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil da Região Metropolitana. Posteriormente, o governo promoverá encontros regionalizados com os demais municípios considerados mais vulneráveis aos impactos de eventos meteorológicos extremos.
Durante os seminários, as prefeituras de 60 municípios prioritários receberão uma análise técnica individualizada elaborada pelo Departamento de Gestão de Riscos da Defesa Civil Estadual. O material reúne informações meteorológicas, hidrológicas, geológicas, sociais e históricas de cada localidade, identificando áreas críticas, quantificando edificações situadas em zonas de risco e avaliando o nível de adequação dos planos de contingência municipais.
A definição dos municípios prioritários leva em consideração critérios objetivos de vulnerabilidade e impacto socioeconômico, como o histórico de emergências, a severidade dos eventos registrados, o número de desalojados e desabrigados, os prejuízos financeiros em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) municipal e a proximidade de áreas urbanas com rios suscetíveis a inundações.
O coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Boeira, destacou que o objetivo é oferecer aos gestores municipais ferramentas concretas para aprimorar a preparação e fortalecer a tomada de decisões. Segundo ele, o diagnóstico detalhado permitirá identificar fragilidades, orientar investimentos e aperfeiçoar os planos de contingência, aumentando a capacidade de proteger a população e reduzir impactos.
Durante o encontro, a meteorologista da Defesa Civil Estadual, Cátia Valente, apresentou a atualização dos modelos climáticos para o El Niño 2026-2027. As projeções indicam 63% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027 em diferentes regiões do Brasil.
No Rio Grande do Sul, o período de maior atenção deverá ocorrer durante o segundo semestre de 2026, especialmente entre o final do inverno e a primavera. Apesar da elevada probabilidade de formação do fenômeno, a meteorologista explicou que a intensidade dos impactos no Estado dependerá da interação de diversos sistemas atmosféricos, o que só poderá ser avaliado com maior precisão à medida que o evento se aproximar.
Diante desse cenário, o foco da Defesa Civil é trabalhar com diferentes cenários de risco e fortalecer a preparação dos municípios e das comunidades para minimizar possíveis prejuízos e ampliar a capacidade de resposta em situações de emergência.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
