Na tarde desta sexta-feira, 17 de abril, o jornalista Fernando Kopper e o repórter Rodolfo Oliveira realizaram uma entrevista especial com o escritor cruz-altense Douglas Casali, autor do livro “Silêncio entre Máquinas”, obra que mistura ficção, terror e drama humano em um cenário ambientado no próprio município de Cruz Alta durante o início da pandemia de Covid-19.
Natural da cidade, Douglas carrega na própria rotina os desafios da hemodiálise, tratamento que exige disciplina, resistência física e equilíbrio emocional. Foi justamente nesse contexto que encontrou na escrita uma forma de organizar pensamentos, enfrentar limitações e transformar experiências pessoais em narrativa. Dono do felino Limas, seu companheiro inseparável, o autor construiu uma história que reflete não apenas um mundo em colapso, mas também o enfrentamento interno de quem precisa lutar diariamente para sobreviver.
A obra marca a estreia literária de Douglas e chama atenção pela forma como une elementos clássicos da ficção apocalíptica com uma abordagem incomum: o protagonista depende de tratamento renal contínuo em meio a um cenário onde hospitais colapsaram e a sociedade entrou em ruínas. Na trama, uma epidemia transforma parte da humanidade em criaturas violentas, conhecidas como “infectados”, com características que remetem a figuras vampirescas, pele sensível à luz, hábitos noturnos e comportamento predatório.
Ao contrário de narrativas tradicionais do gênero, o livro não se apoia apenas na ação ou no confronto físico. O foco recai sobre as limitações do personagem principal, que precisa atravessar uma cidade hostil para garantir sessões de hemodiálise, mesmo que incompletas, em um ambiente onde faltam recursos básicos como água tratada e energia elétrica. A fragilidade física, somada ao desgaste psicológico, constrói um herói distante dos estereótipos, mais humano e vulnerável.
Durante a entrevista, Douglas destacou que buscou inspiração em produções conhecidas do gênero, mas com o objetivo de fugir dos grandes centros urbanos geralmente retratados. A escolha por Cruz Alta não foi apenas geográfica, mas também afetiva. Ruas, bairros e pontos conhecidos da cidade aparecem na narrativa, permitindo que leitores locais reconheçam trajetos e cenários, ampliando a imersão. Locais como hospitais, ginásios e regiões residenciais servem de pano de fundo para uma história que se desenvolve em meio ao silêncio e ao abandono.
Outro elemento central da obra é o grupo denominado “Imunes”, formado por sobreviventes que acreditam serem escolhidos e que, ao longo da trama, assumem papel tão ameaçador quanto os próprios infectados. A presença desses personagens reforça uma das principais reflexões do livro: em situações extremas, o ser humano pode se tornar o maior perigo.
A narrativa também incorpora elementos de estratégia e sobrevivência, incluindo aspectos de organização, deslocamento e treinamento, evidenciando a evolução do protagonista ao longo da história. Inicialmente alguém que evita conflitos, o personagem passa por transformações que o obrigam a assumir responsabilidades, proteger outros sobreviventes e enfrentar ameaças diretas.
Além da ficção, o livro carrega uma forte mensagem sobre resiliência. Segundo o autor, grande parte da batalha enfrentada por quem realiza hemodiálise é psicológica, uma condição que ele buscou retratar com fidelidade. O cansaço constante, a sensação de fragilidade e a necessidade de seguir em frente mesmo diante de limitações são aspectos que atravessam toda a obra.
Disponível em formato digital e físico, “Silêncio entre Máquinas” pode ser adquirido por meio de plataformas online, incluindo a Amazon, além de links disponibilizados nas redes sociais do autor.
A entrevista integra a cobertura especial do Notícias RS, que valoriza talentos locais e destaca histórias produzidas no interior do Estado. A produção foi realizada em Cruz Alta, reforçando o protagonismo cultural do município e evidenciando novas vozes da literatura regional.
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Reportagem: Jornalista Fernando Kopper
Imagens: Repórter Rodolfo Oliveira
