Nos últimos dias, diversas informações sobre o El Niño têm circulado nas redes, muitas delas com tom alarmista sobre possíveis impactos na Região Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, que ainda enfrenta os reflexos das enchentes registradas em 2024, consideradas o pior desastre climático da história do estado.
Mas o que de fato apontam os dados mais recentes? Novas projeções de modelos climáticos internacionais indicam a formação de um episódio de El Niño com intensidade excepcional ao longo de 2026. Informações atualizadas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo mostram um aquecimento significativo das águas do Oceano Pacífico, o que tem elevado o nível de atenção entre meteorologistas.
De acordo com as simulações mais recentes, a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 pode atingir valores próximos de +3,2°C até o fim do ano, superando estimativas anteriores. Caso se confirme, o fenômeno pode figurar entre os mais intensos já registrados, com potencial de rivalizar com episódios históricos como os de 1997-1998 e 2015-2016.
As análises indicam ainda que o aquecimento deve ganhar força ao longo do segundo semestre, com cenários variando entre +2,0°C e +4,0°C. Outro modelo climático, desenvolvido pela National Oceanic and Atmospheric Administration, também projeta um El Niño extremo, reforçando a tendência observada pelos europeus.
Especialistas apontam que o fenômeno pode se estabelecer mais cedo que o habitual, possivelmente entre maio e junho, com rápida intensificação durante o inverno e pico previsto para a primavera. Esse comportamento está associado ao avanço de uma grande massa de água aquecida em profundidade no Pacífico, conhecida como Onda Kelvin, que contribui para o aquecimento da superfície do mar.
Os efeitos devem ser sentidos em diversas regiões do país, principalmente na segunda metade do ano. No Sul, a tendência é de aumento significativo das chuvas, com maior frequência de temporais, elevação no nível dos rios e risco de novas enchentes. Já nas regiões Norte e Nordeste, o fenômeno costuma provocar redução das precipitações, favorecendo períodos de estiagem e aumento das queimadas.
No Sudeste e no Centro-Oeste, a expectativa é de temperaturas mais elevadas, com episódios de calor intenso. De forma geral, o El Niño altera a circulação atmosférica global, influenciando o clima em diferentes partes do mundo e podendo desencadear eventos extremos.
Meteorologistas ressaltam que, embora as projeções ainda possam sofrer ajustes ao longo dos próximos meses, a consistência dos modelos aumenta a probabilidade de um evento de grande impacto climático em 2026, exigindo atenção redobrada de autoridades e da população.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
