O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) divulgou, em conjunto com outros órgãos federais, o segundo boletim de monitoramento do El Niño em 2026. O documento confirma a permanência do fenômeno até, pelo menos, o início de 2027 e aponta 100% de probabilidade de continuidade, com elevada chance de atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão, quando a temperatura da superfície do Oceano Pacífico poderá registrar anomalias superiores a 2°C.
Elaborado em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), o boletim reúne projeções climáticas e os possíveis impactos para a agricultura, os recursos hídricos e a população brasileira.
Para o trimestre entre agosto, setembro e outubro, a previsão indica chuvas acima da média na Região Sul e precipitações abaixo da média em grande parte das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No Sul, o excesso de chuva pode favorecer parte das culturas de inverno, mas também aumenta o risco de doenças fúngicas, dificulta os tratos culturais, atrasa a colheita e eleva a possibilidade de inundações.
As instituições também alertam para temperaturas acima da média em praticamente todo o país durante o segundo semestre. O cenário favorece a ocorrência de ondas de calor, redução da umidade relativa do ar e aumento do risco de incêndios florestais, reforçando a necessidade de monitoramento constante das condições meteorológicas e hidrológicas.
No Oceano Pacífico Equatorial, o aquecimento das águas observado desde março confirmou o desenvolvimento do El Niño. Projeções do APEC Climate Center (APCC) apontam 100% de probabilidade de manutenção do fenômeno forte até o fim de 2026, enquanto a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) estima 81% de chance de evolução para um episódio classificado como muito forte entre outubro e dezembro.
O boletim também compara o cenário atual com o evento de El Niño registrado em 2023. No Sul do Brasil, o principal risco deixou de ser a seca e passou a ser a ocorrência de grandes enchentes. Diferentemente de 2023, quando parte do Rio Grande do Sul enfrentava seca extrema, atualmente o Estado praticamente não apresenta déficit hídrico acumulado, o que aumenta a preocupação com episódios de cheias caso as chuvas persistam nos próximos meses.
Na agropecuária, os impactos variam entre as regiões. No Sul, as chuvas acima da média tendem a aumentar a disponibilidade de água no solo e favorecer as culturas de inverno e a implantação da safra de verão, especialmente milho e soja. Por outro lado, o excesso de umidade poderá elevar a incidência de doenças, atrasar operações no campo, comprometer a colheita das culturas de inverno e exigir replantio em áreas afetadas por chuvas intensas.
O boletim reforça que o acompanhamento permanente das previsões meteorológicas e das orientações da Defesa Civil será fundamental para reduzir os impactos provocados pelo fenômeno ao longo dos próximos meses.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
