O El Niño de 2026 apresenta sinais de fortalecimento e já registra uma anomalia de temperatura da superfície do mar de +3,4°C na região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central. O dado consta no boletim semanal da agência divulgado na segunda-feira (26) e representa o maior valor registrado até agora neste episódio do fenômeno, além de superar em 0,1°C o índice informado na semana anterior.
Pelo índice tradicional ONI, anomalias iguais ou superiores a +2°C são classificadas como El Niño muito forte, categoria popularmente conhecida como Super El Niño. Pelo Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), que considera o aquecimento dos oceanos tropicais, a anomalia atual é de +2,5°C, também enquadrada na categoria de El Niño muito forte.
Na região Niño 1+2, próxima aos litorais do Peru e do Equador, a anomalia chega a +5,2°C, indicando um El Niño Costeiro de excepcional intensidade.
As projeções analisadas pela MetSul Meteorologia apontam que o fenômeno deve continuar se fortalecendo ao longo de novembro. A expectativa é que o pico de intensidade do episódio de 2026-2027 ocorra no final deste ano, com a maioria dos modelos indicando o máximo entre novembro e dezembro. A partir do início de 2027, a tendência seria de enfraquecimento gradual.
A maior parte das projeções indica que a anomalia na região Niño 3.4 poderá atingir entre +3,5°C e +4°C. Alguns modelos, porém, apontam a possibilidade de o índice superar +4°C no pico do fenômeno.
Apesar da intensidade, a temperatura das águas do Pacífico não determina, de maneira proporcional, os impactos climáticos em todas as regiões. A distribuição das águas mais quentes, a circulação atmosférica, os ventos e a interação com outros padrões climáticos influenciam os efeitos de cada episódio.
No Rio Grande do Sul, por exemplo, o El Niño de 2026 tem apresentado, até o momento, menos chuva do que o episódio de 2023, apesar de ser considerado mais intenso. Em São Paulo, por outro lado, o fenômeno de 2023 esteve associado a grandes ondas de calor, enquanto o episódio atual tem provocado excesso de chuva e enchentes.
No Paraná, o excesso de precipitação e as tempestades também têm causado impactos mais expressivos do que os observados durante o episódio de três anos atrás. Os exemplos reforçam que, mesmo diante de um El Niño muito intenso, os efeitos variam conforme a região e as condições atmosféricas de cada período.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Metsul Meteorologia
