O El Niño de 2026 apresenta uma intensidade sem precedentes para o início de outubro, segundo dados da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), agência climática dos Estados Unidos. Conforme análise da MetSul Meteorologia, a anomalia da temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Central atingiu níveis superiores aos observados em episódios históricos do fenômeno no mesmo período do ano.
De acordo com o boletim semanal mais recente da NOAA, a anomalia na região Niño 3.4 chegou a +3,3°C pelo índice ONI, utilizado tradicionalmente para acompanhar o fenômeno e comparar sua intensidade histórica. Pelo Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), que considera o aquecimento dos oceanos tropicais como referência, os valores também indicam um evento de grande intensidade, embora os resultados variem conforme a metodologia utilizada.
Anomalias iguais ou superiores a +2°C na região Niño 3.4 são associadas à categoria de El Niño muito forte, frequentemente chamada de Super El Niño. Os dados analisados pela MetSul indicam que o episódio atual supera, no início de outubro, os valores registrados em importantes eventos anteriores.
Na comparação histórica pelo índice ONI, a anomalia no começo de outubro foi de +2,0°C durante o El Niño de 1982-1983, também de +2,0°C em 1997-1998, de +2,1°C em 2015-2016 e de +1,5°C em 2023-2024. No episódio de 2026, o valor chegou a +3,3°C, conforme o boletim citado.
Pelo índice RONI, os valores históricos para o mesmo período foram de +2,3°C em 1982-1983, +2,0°C em 1997-1998, +1,6°C em 2015-2016 e +0,9°C em 2023-2024.
El Niño pode atingir o pico entre novembro e dezembro
As projeções dos modelos climáticos analisados pela MetSul Meteorologia indicam que o fenômeno deve continuar se fortalecendo ao longo de outubro. A expectativa é de que o pico de intensidade ocorra entre novembro e dezembro, com posterior enfraquecimento gradual a partir do início de 2027.
A maioria das projeções aponta para uma anomalia máxima entre +3,5°C e +4°C na região Niño 3.4. Alguns modelos, porém, indicam a possibilidade de valores superiores a +4°C, o que representaria um episódio de intensidade excepcional.
Apesar da força prevista, especialistas ressaltam que a intensidade do El Niño não determina, de maneira proporcional, os impactos sobre o clima. A distribuição das águas mais quentes, os padrões de circulação atmosférica, os ventos e a interação com outros fenômenos oceânicos e climáticos influenciam diretamente as consequências em cada região.
Impactos variam entre o Rio Grande do Sul e outras regiões do Brasil
O comportamento do El Niño em 2026 demonstra que episódios de grande intensidade podem produzir efeitos diferentes daqueles observados em eventos anteriores.
No Rio Grande do Sul, por exemplo, o fenômeno atual tem apresentado, até o momento, menos chuva do que no episódio de 2023, apesar de sua maior intensidade oceânica. Em contrapartida, São Paulo e Paraná enfrentam episódios de chuva excessiva e tempestades, com registros de alagamentos e enchentes em determinadas áreas.
Em 2023, São Paulo foi marcado por grandes ondas de calor durante o período de influência do El Niño. Já em 2026, o cenário descrito pela MetSul destaca o excesso de precipitação em partes do Sudeste e do Sul do país.
As diferenças reforçam que cada episódio do fenômeno possui características próprias. A intensidade das águas do Pacífico é um indicador importante, mas não permite prever isoladamente a magnitude dos impactos sobre cada estado ou região.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Metsul Meteorologia
