O El Niño que está se formando no Oceano Pacífico vem ganhando força nas últimas semanas e entrou no radar dos principais centros internacionais de monitoramento climático. Dados atualizados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam um rápido aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, enquanto as projeções apontam para a continuidade da intensificação do fenômeno nos próximos meses.
Segundo a NOAA, as temperaturas da superfície do Pacífico Equatorial já apresentam anomalias superiores a 3°C em algumas áreas. Na região Niño 3.4, uma das principais referências para o acompanhamento do El Niño, a anomalia média chegou a 1,8°C em agosto, enquanto os índices Niño 3 e Niño 1+2 alcançaram 2,5°C e 3,4°C, respectivamente.
A agência norte-americana estima uma probabilidade superior a 90% de que o fenômeno permaneça em uma categoria muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte de 2026/2027. A previsão também indica que o El Niño deve continuar se fortalecendo até o fim deste ano.
Outro aspecto que chama atenção dos pesquisadores é a grande quantidade de calor armazenada abaixo da superfície do oceano. Em diferentes pontos do Pacífico Equatorial, as águas subsuperficiais apresentam anomalias superiores a 10°C. Esse calor acumulado pode contribuir para a manutenção e o fortalecimento do fenômeno à medida que águas mais quentes se deslocam em direção às regiões leste do Pacífico.
O comportamento dos ventos também exerce papel importante. Alterações nos ventos equatoriais podem favorecer o deslocamento de águas quentes para leste e modificar a circulação atmosférica. É justamente a interação entre o oceano e a atmosfera que determina a evolução, a intensidade e a duração do El Niño.
As projeções atuais colocam o período entre o fim de 2026 e o início de 2027 como uma fase importante para o fenômeno. Para o trimestre outubro-novembro-dezembro de 2026, a NOAA estima 75% de probabilidade de um evento considerado histórico, definido pelo centro climático como aquele que ultrapassaria +2,5°C no índice RONI em média trimestral e superaria a intensidade dos eventos registrados desde 1950.
Apesar das projeções, a intensidade máxima do fenômeno ainda não pode ser determinada com precisão. Os modelos climáticos são atualizados constantemente à medida que novas observações do oceano e da atmosfera são incorporadas. Por isso, as estimativas podem sofrer alterações nos próximos meses.
Os episódios de 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016 estão entre os principais eventos históricos utilizados como referência para avaliar a intensidade do El Niño. A NOAA, entretanto, ressalta que mesmo um El Niño muito forte não significa necessariamente que todos os impactos esperados ocorrerão com a mesma intensidade em todas as regiões.
No Brasil, os efeitos do fenômeno podem variar de acordo com a região e a época do ano. Alterações na circulação atmosférica associadas ao El Niño podem modificar padrões de chuva e temperatura, mas a resposta do clima também depende de outros sistemas atmosféricos e oceânicos.
Para o Rio Grande do Sul e demais estados do Sul do Brasil, o acompanhamento do fenômeno será especialmente importante ao longo dos próximos meses, principalmente diante da possibilidade de mudanças nos padrões de precipitação e temperatura.
Com o Pacífico Equatorial apresentando forte aquecimento, grande quantidade de calor acumulada abaixo da superfície e sinais atmosféricos compatíveis com a intensificação do fenômeno, o El Niño 2026/2027 passa a ser um dos principais fatores climáticos a serem monitorados. A evolução das temperaturas do oceano, dos ventos e da interação entre atmosfera e Pacífico será determinante para definir a dimensão que o episódio poderá alcançar.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
