As chuvas registradas na segunda quinzena de fevereiro reduziram o estresse hídrico nas lavouras de soja e milho no Rio Grande do Sul, trazendo melhora nas condições de desenvolvimento das culturas. No entanto, parte das perdas já foi consolidada em razão da estiagem que atingiu o Estado durante janeiro e o início de fevereiro. Os dados constam no mais recente levantamento divulgado pela Emater/RS.
Enquanto a soja segue em fase decisiva de desenvolvimento, o arroz inicia a colheita e o feijão encerra a primeira safra com quebra de produtividade em regiões mais afetadas pela falta de chuva.
Situação da soja
A soja apresenta atualmente 60% das áreas em enchimento de grãos, enquanto outras 28% estão em floração. A maturação alcança 4% das lavouras e a colheita ocorre ainda de forma incipiente. A área cultivada no Estado soma 6.742.236 hectares, e uma nova estimativa de produtividade deverá ser divulgada no início de março.
A restrição hídrica registrada anteriormente provocou abortamento de flores e vagens, além da redução do porte das plantas e encurtamento do ciclo produtivo. Na regional de Bagé, perdas superam 40% nos municípios de Manoel Viana e São Borja. Em Rosário do Sul, a quebra se aproxima de 30%, enquanto em Maçambará chega a 20%.
Na região da Campanha, a média indica produtividade cerca de 10% abaixo do potencial inicial, com melhor desempenho em áreas de várzea. Em Santa Rosa, as perdas podem ultrapassar 25%, e em Ijuí há registros de quebra de até 50% nas áreas mais afetadas pela estiagem. Já em Erechim, estimativas apontam redução de até 30% em municípios como Getúlio Vargas e São Valentim.
Com a recomposição da umidade do solo, o manejo fitossanitário ganhou ritmo. Técnicos retomaram aplicações de fungicidas contra a ferrugem-asiática, enquanto produtores monitoram a presença de tripes, ácaros, percevejos e lagartas, cuja incidência permanece baixa, com registros pontuais de plantas daninhas como o caruru.
Situação do milho
No milho, a colheita já alcança 60% da área plantada, estimada em 785.030 hectares. A produtividade nas áreas já colhidas se aproxima da projeção inicial, com média estimada em 7.370 kg por hectare.
Apesar disso, algumas regiões enfrentaram perdas expressivas. Em Rosário do Sul, os prejuízos superam 40% devido a falhas no enchimento de grãos e mortalidade de plantas. Em São Gabriel, lavouras precoces apresentam produtividade entre 7.200 e 7.800 kg/ha em sistema de sequeiro e até 12.000 kg/ha em áreas irrigadas.
Na regional de Erechim, a média se aproxima de 9.000 kg/ha, embora alguns municípios registrem perdas de até 25%. A cigarrinha-do-milho segue presente em diversas regiões e exige monitoramento constante, enquanto a lagarta-do-cartucho aparece de forma pontual. Já a segunda safra enfrenta dificuldades iniciais devido ao déficit hídrico, que compromete germinação e desenvolvimento das plantas.
Situação do arroz
A colheita do arroz começou e atinge cerca de 3% da área cultivada no Estado, que totaliza 891.908 hectares. A maior parte das lavouras permanece em enchimento de grãos (45%) e floração (22%), enquanto a maturação alcança 28%. A produtividade projetada é de 8.752 kg por hectare.
Chuvas intercaladas com períodos de nebulosidade reduziram a radiação solar em fases sensíveis da cultura. Em Pelotas, temperaturas superiores a 35 ºC durante a fase de antese podem provocar esterilidade de espiguetas. Produtores intensificam o controle de doenças como brusone e manchas foliares, além do monitoramento da lagarta-da-panícula, enquanto técnicos ajustam o manejo da irrigação.
Situação do feijão
No feijão da primeira safra, 53% das áreas já foram colhidas, com produtividade média projetada de 1.779 kg/ha em uma área de 26.096 hectares. A estiagem provocou abortamento de flores e vagens em parte das lavouras, resultando em rendimento abaixo do esperado, especialmente na região de Ijuí. Em Pelotas, a média registrada gira em torno de 1.103 kg/ha.
Já o feijão da segunda safra apresenta 77% das lavouras em desenvolvimento vegetativo. A área projetada soma 11.690 hectares, com produtividade estimada em 1.401 kg/ha. O plantio mais tardio contribuiu para evitar perdas maiores provocadas pela seca, e técnicos relatam baixa incidência de pragas e doenças até o momento.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
