Uma denúncia anônima que apontava o possível paradeiro dos corpos da família Aguiar mobilizou uma grande operação das forças de segurança na tarde desta terça-feira (30), em Canoas. A ação concentrou equipes da Polícia Civil, Brigada Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS), que realizaram buscas durante cerca de três horas em uma extensa área de mata e banhado, na região da Praia do Paquetá, no bairro Mato Grande. Apesar da intensa mobilização, nenhum vestígio das vítimas foi encontrado.
A informação chegou inicialmente à Brigada Militar por meio do telefone 190 e foi imediatamente repassada à Polícia Civil, que coordenou toda a operação. A movimentação chamou a atenção pela presença de dezenas de agentes e também de diretores da Polícia Civil, que acompanharam pessoalmente as diligências.
As buscas tiveram início ainda pela manhã, inicialmente com uma inspeção visual da área indicada na denúncia. Como nenhum indício foi localizado, a Polícia Civil solicitou apoio especializado ao Batalhão de Busca e Salvamento do CBMRS, de Porto Alegre, que deslocou uma cadela farejadora da raça pastor-belga-malinois para auxiliar nos trabalhos.
A primeira varredura com o cão ocorreu por volta das 13h, nas proximidades de uma chácara mencionada pelo denunciante. O proprietário do imóvel acompanhou a ação e autorizou voluntariamente o acesso das equipes. Durante mais de uma hora, policiais percorreram a área sem encontrar qualquer sinal da presença dos corpos.
Posteriormente, as equipes seguiram para um segundo ponto indicado na denúncia, nas proximidades de uma antena. Devido às dificuldades de acesso, foi necessário entrar em outra propriedade particular, também com autorização dos moradores. A imprensa não teve acesso ao local. As buscas foram encerradas por volta das 15h20.
Segundo o diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), delegado Cristiano Alvarez, a diligência prevista para esta terça-feira foi concluída conforme o planejamento. Ele destacou que os cães farejadores cumpriram seu papel, mas a denúncia não se confirmou até o momento.
“O Corpo de Bombeiros acompanhou as diligências com os cães farejadores e, por enquanto, a denúncia não se confirmou, mas as buscas seguem dentro da investigação”, afirmou o delegado.
Alvarez explicou ainda que o tempo de atuação dos cães é limitado devido ao intenso desgaste físico causado pelas buscas em áreas extensas e de difícil acesso. Conforme ele, o animal ficou exaurido após o trabalho realizado.
Apesar do resultado negativo, a Polícia Civil ressalta que a hipótese levantada pela denúncia não está completamente descartada. De acordo com o delegado, a área é muito ampla e, embora não tenha havido qualquer indicação da presença dos corpos durante a operação, novas diligências poderão ser realizadas caso surjam elementos que justifiquem a retomada das buscas.
O delegado também informou que o local vistoriado nunca havia sido citado ao longo da investigação. Toda a operação foi motivada exclusivamente pela denúncia anônima recebida pela Brigada Militar na manhã desta terça-feira.
Relembre o caso
Silvana Germann de Aguiar e seus pais, Isail Aguiar e Dalmira Aguiar, estão desaparecidos desde o dia 25 de janeiro deste ano. O policial militar Cristiano Domingues Francisco responde na Justiça pela morte da ex-esposa, do sogro e da sogra, além da ocultação dos corpos.
Preso preventivamente desde fevereiro, o réu responde por feminicídio, homicídio, ocultação de cadáver, furto, abandono de incapaz, fraude processual, falsidade ideológica e associação criminosa. Conforme a investigação da Polícia Civil, a motivação dos crimes estaria relacionada a disputas envolvendo a guarda do filho do casal.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
