A Polícia Civil voltou a realizar buscas pelos corpos de três integrantes da mesma família desaparecidos há mais de cinco meses no Rio Grande do Sul. A nova etapa da investigação foi motivada por uma denúncia anônima que indica que os corpos possam estar na região da Praia do Paquetá, em Canoas. As diligências contam com o apoio de cães farejadores.
As vítimas são Silvana de Aguiar, de 48 anos, e seus pais, Isail Vieira de Aguiar, de 69, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70. A família, moradora de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, desapareceu entre os dias 24 e 25 de janeiro. Diante do tempo transcorrido e das provas reunidas, a polícia considera remotas as chances de encontrá-los com vida e trata o caso como um duplo feminicídio e um homicídio.
Segundo o delegado Anderson Spier, responsável pelas investigações, as diligências seguem em andamento mesmo após a conclusão do inquérito policial, em abril. Conforme ele, novas análises de dados continuam sendo realizadas, embora, até o momento, não tenham surgido elementos que alterem a linha investigativa já estabelecida.
O principal suspeito é o policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-marido de Silvana. Ele permanece preso preventivamente e responde por oito crimes, entre eles dois feminicídios, um homicídio qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, associação criminosa, falsidade ideológica, furto e abandono de incapaz.
Também são réus a atual esposa de Cristiano, Milena Ruppental Domingues, acusada de participação nos homicídios e em outros crimes, e o irmão dele, Wagner Domingues Francisco, denunciado por ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa. Ambos respondem ao processo em liberdade.
Conforme o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, a ação penal encontra-se na fase de resposta à acusação, etapa em que as defesas apresentam suas primeiras manifestações após o recebimento da denúncia pelo Ministério Público.
De acordo com a investigação, o crime teria sido motivado por disputas envolvendo a guarda do filho do casal e questões patrimoniais. A Polícia Civil sustenta que Silvana foi morta dentro da própria residência e que seus pais teriam sido atraídos ao local e assassinados posteriormente, em uma ação planejada para dificultar a descoberta dos crimes.
Embora os corpos ainda não tenham sido localizados, o inquérito foi concluído com o indiciamento de seis pessoas. O Ministério Público denunciou três investigados, Cristiano, Milena e Wagner, que permanecem como réus no processo enquanto as buscas e as investigações complementares continuam.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: G1
