A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) solicitou à Procuradoria Jurídica da instituição um parecer sobre a possibilidade de afastamento cautelar de dois estudantes suspeitos de envolvimento no envio de ameaças e manifestações de ódio contra servidores e alunos. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
O pedido foi encaminhado pela reitoria no final da semana passada e divulgado nesta segunda-feira (2). Segundo a reitora da UFSM, Martha Adaime, a medida tem caráter preventivo e não representa uma punição definitiva ou expulsão imediata dos estudantes.
De acordo com a administração da universidade, o objetivo é garantir a segurança das pessoas envolvidas e preservar o ambiente acadêmico enquanto os procedimentos legais e as investigações estiverem em andamento. Uma comissão sindicante foi constituída para apurar os fatos, e documentos relacionados às ameaças foram encaminhados à Polícia Federal (PF).
A reitora afirmou que a instituição pretende conduzir o caso com responsabilidade e transparência, respeitando o devido processo legal e buscando garantir a tranquilidade da comunidade acadêmica.
Próximos passos
A expectativa é de que a Procuradoria Jurídica apresente um parecer sobre o pedido ainda nesta semana. Caso a manifestação seja favorável ao afastamento, as medidas operacionais e pedagógicas serão definidas conforme as orientações do órgão jurídico.
Entre os pontos que deverão ser estabelecidos estão o período de duração do afastamento e a possibilidade de os estudantes continuarem realizando atividades acadêmicas durante esse intervalo, por meio de exercícios domiciliares ou regimes específicos.
Ameaças e mensagens de ódio
A solicitação de afastamento ocorre após uma série de denúncias de ameaças direcionadas a estudantes e servidores da UFSM, com motivação político-partidária. Até quarta-feira (28) da semana passada, a Ouvidoria da universidade havia recebido 19 denúncias relacionadas aos episódios.
Segundo a reitora, diversos estudantes passaram a demonstrar receio de frequentar as aulas após as ameaças.
Capturas de tela de conversas em grupos de WhatsApp vinculados a cursos do Centro de Ciências Rurais da UFSM passaram a circular nas redes sociais. As mensagens mencionam uma possível guerra e mortes, além de conter declarações ofensivas contra pessoas que defendem ou votaram no Partido dos Trabalhadores (PT).
A documentação foi encaminhada à Polícia Federal, que avalia se a investigação será conduzida pela própria corporação ou encaminhada à Polícia Civil.
Na semana passada, o Gabinete da Reitoria também determinou a criação de uma comissão específica para investigar os episódios, identificar os envolvidos, verificar seus vínculos com a universidade e ouvi-los.
Em nota, a direção do Centro de Ciências Rurais manifestou repúdio a manifestações de caráter intolerante e informou que eventuais ocorrências serão encaminhadas às instâncias competentes para apuração e responsabilização dos envolvidos.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: GZH
