Os preços da soja seguem em queda no mercado brasileiro, influenciados principalmente pela valorização do real frente ao dólar, conforme análise divulgada pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema). Segundo o boletim, o fortalecimento da moeda brasileira tem pressionado as cotações da commodity no país.
Na última semana, o dólar foi cotado em torno de R$ 5,12, patamar registrado pela última vez em maio de 2024, fator que reduz a competitividade das exportações e impacta diretamente os preços pagos ao produtor.
De acordo com a Ceema, nas principais praças do Rio Grande do Sul a soja foi negociada entre R$ 116,00 e R$ 117,00 por saca. Já nas demais regiões brasileiras, os valores oscilaram entre R$ 98,00 e R$ 116,00 por saca.
O levantamento também aponta atraso no avanço da colheita nacional. Até o dia 19 de fevereiro, cerca de 30% da área cultivada havia sido colhida, índice inferior aos 39% registrados no mesmo período do ano passado e o mais baixo desde a safra 2020/21.
No Mato Grosso, principal produtor do país, a colheita alcançou 66% da área até o fim da semana anterior, superando a média histórica de 57,2% para o período. Já o plantio do milho safrinha chegou a 66,3% da área prevista, abaixo da média histórica de 71,5%.
No Paraná, os trabalhos atingiram 37% da área cultivada, contra 49% no mesmo período de 2025. No Rio Grande do Sul, a colheita ainda não foi iniciada e, mesmo com o retorno das chuvas em algumas regiões, o setor produtivo mantém a estimativa de quebra de aproximadamente 30% da safra devido à estiagem prolongada. Diversos municípios permanecem em situação de emergência em razão da falta de chuvas.
No cenário das exportações, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) revisou para baixo a projeção de embarques de soja em fevereiro. A nova estimativa aponta exportações de 10,7 milhões de toneladas, redução de 800 mil toneladas em relação à previsão anterior. Os embarques de farelo de soja também foram ajustados, com expectativa de 1,73 milhão de toneladas no mês.
O cenário combina pressão cambial, atrasos na colheita e perdas climáticas, mantendo o mercado atento aos próximos movimentos da safra e do comércio internacional do grão.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
