Durante participação na Expodireto Cotrijal 2026, realizada em Não-Me-Toque, o senador Luiz Carlos Heinze afirmou que o agronegócio do Rio Grande do Sul acumulou perdas próximas de R$ 1 trilhão nos últimos anos em decorrência de eventos climáticos extremos.
A declaração foi feita durante entrevista concedida nesta segunda-feira, 9 de março, na feira, considerada um dos principais eventos do setor agropecuário do país. Segundo o parlamentar, a soma de quatro estiagens severas e uma grande enchente provocou impactos profundos na economia estadual, afetando diretamente agricultores, cooperativas, comércio e indústria.
Heinze avaliou a edição de 2026 da Expodireto como um evento de grande mobilização do setor produtivo. Ele destacou a presença de produtores rurais, empresas e instituições ligadas ao agronegócio, ressaltando a importância da feira como espaço para debates e encaminhamento de pautas estratégicas para a agricultura brasileira.
Durante a entrevista, o senador também comentou o diálogo que vem sendo mantido com o governo federal em busca de soluções para as dificuldades enfrentadas pelos produtores. Segundo ele, há conversas com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, além de integrantes da equipe econômica, para discutir medidas voltadas ao enfrentamento da crise no campo.
Outro ponto destacado foi o alto nível de endividamento dos agricultores gaúchos. Heinze afirmou que a prorrogação de dívidas, adotada em determinados momentos, não resolve de forma definitiva a situação e defendeu a construção de alternativas estruturais para reorganizar o setor.
Entre as propostas apresentadas está a securitização das dívidas rurais, mecanismo que prevê a emissão de títulos de longo prazo para reorganizar os débitos dos produtores. A medida permitiria que agricultores quitassem compromissos com bancos, cooperativas e fornecedores, possibilitando a retomada de investimentos nas propriedades.
O parlamentar também citou projetos voltados à melhoria do solo e ao aumento da produtividade agrícola. Entre eles estão iniciativas relacionadas à irrigação, ampliação da reserva de água nas propriedades e programas de cobertura vegetal e aprofundamento do sistema radicular das plantas, desenvolvidos com apoio da Embrapa em Passo Fundo. Segundo Heinze, essas ações podem reduzir os impactos de períodos de estiagem e ampliar a estabilidade da produção agrícola no Estado.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Rádio Uirapuru
