O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), após o avanço de pedidos de impeachment relacionados à crise financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank, considerado o maior banco digital do país. O grupo controlador da instituição teve Peña como sócio até março de 2025, quando ele já ocupava a Presidência da República.
A carta de renúncia será submetida à análise do Congresso paraguaio, cuja aprovação é necessária para oficializar a saída do mandatário.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Peña afirmou que tomou a decisão em nome da estabilidade do país, da paz social e da preservação das instituições democráticas.
“Caberá à história julgar e colocar em sua justa dimensão os acontecimentos que hoje vivemos. Tomei a decisão de apresentar a renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, declarou.
O presidente também pediu desculpas caso tenha falhado durante sua gestão e afirmou que sua prioridade é garantir a devolução dos recursos dos clientes afetados pela crise bancária, além de proteger os fundos públicos e o sistema financeiro paraguaio.
Na quarta-feira (4), Peña havia promulgado uma lei aprovada em regime de urgência pelo Congresso para agilizar a liberação dos recursos retidos de milhares de clientes do Ueno Bank. A medida prevê a utilização de um adiantamento do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), permitindo que os valores sejam disponibilizados em um prazo mínimo de 24 horas.
Nesta quinta-feira, a Câmara dos Deputados realizou duas sessões extraordinárias para discutir a abertura de processos de impeachment contra Peña e o vice-presidente, Pedro Alliana.
Com o anúncio da renúncia, os parlamentares suspenderam temporariamente a tramitação do pedido contra Peña e passaram a analisar a solicitação envolvendo o vice-presidente. O pedido de impeachment contra Alliana foi rejeitado por 48 votos contrários e 30 favoráveis.
Dessa forma, Alliana deverá assumir a Presidência do Paraguai assim que o Congresso aceitar formalmente a renúncia de Peña.
A crise ganhou força após o Banco Central do Paraguai (BCP) determinar, no início da semana, um processo de resolução ou fechamento do Ueno Bank. A instituição possui aproximadamente 2,9 milhões de clientes em um país com 6,1 milhões de habitantes. A decisão ocorreu após a identificação de que o índice de solvência do banco havia caído para menos da metade do mínimo exigido.
A situação também provocou pressão política sobre o governo devido à ligação empresarial de Peña com o Grupo Vázquez, conglomerado controlador do banco, do qual foi sócio até março de 2025.
Outro desdobramento foi a renúncia de Carlos Carvallo à presidência do Banco Central do Paraguai. Ele havia sido diretor da Financiera Ueno, instituição que deu origem ao banco atualmente sob intervenção.
Peña assumiu a Presidência em 15 de agosto de 2023, após vencer as eleições realizadas em abril daquele ano. Seu mandato estava previsto para terminar em 2028.
Antes do anúncio da renúncia, o ex-presidente Horacio Cartes, atual presidente da Associação Nacional Republicana (ANR), conhecida como Partido Colorado e principal padrinho político de Peña, havia declarado apoio ao impeachment do mandatário.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
