Nos primeiros seis meses de execução, entre julho e dezembro, o Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/2026 alcançou 1.183.669 operações de crédito em todo o país. O volume representa um crescimento de 20% em relação ao mesmo período da safra 2024/2025, totalizando R$ 40,2 bilhões contratados. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
Além da expansão dos recursos, o ministério destaca uma melhor distribuição do crédito rural, com aumento da participação de agricultores de menor renda, mulheres, jovens e beneficiários de linhas voltadas à agroecologia, à bioeconomia e à inclusão produtiva. Segundo o MDA, o resultado reforça o caráter mais inclusivo da política pública voltada ao fortalecimento da agricultura familiar.
Para o secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia, Vanderley Ziger, o início do Plano Safra confirma a consolidação de um modelo de política pública com impacto direto no campo, reafirmando o papel central do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) no crédito rural. “Os resultados desses primeiros meses mostram que o Pronaf deixou de ser apenas um instrumento de crédito. Estamos ampliando o acesso ao financiamento, chegando a quem mais precisa, fortalecendo a produção de alimentos, promovendo inclusão social e levando mais dignidade e qualidade de vida para as famílias do campo”, afirmou.
Crédito ampliado e avanço regional
A ampliação do crédito na região Norte é um dos principais destaques deste início de safra. A região registrou 57,8 mil contratos, aumento de 80,6% no número de operações em comparação com a safra passada. O volume financiado chegou a R$ 3,3 bilhões, crescimento de 9,9% no valor contratado. De acordo com o MDA, o desempenho reflete o esforço para ampliar o alcance do Pronaf em regiões historicamente menos atendidas.
No recorte nacional, linhas estratégicas também apresentaram crescimento expressivo. O Pronaf Agroecologia registrou alta de 102,2% no número de operações e de 73% no valor financiado, alcançando R$ 7,3 milhões, fortalecendo sistemas produtivos sustentáveis e a transição agroecológica.
Já o Pronaf B, voltado às famílias de menor renda, teve aumento de 60,1% no número de operações, totalizando 731.722 contratos. O volume financiado cresceu 52%, chegando a R$ 5,1 bilhões. Dentro dessa linha, as operações destinadas a instalações sanitárias somam 84 mil contratos, com R$ 252 milhões financiados, garantindo acesso ao saneamento básico e mais dignidade no meio rural.
Os quintais produtivos agroecológicos, conduzidos majoritariamente por mulheres, também avançaram. Foram 22 mil operações contratadas, com R$ 429 milhões financiados, fortalecendo a produção diversificada de alimentos, a segurança alimentar e a autonomia produtiva das famílias agricultoras.
Mulheres, jovens e públicos historicamente excluídos
A ampliação do acesso ao crédito por mulheres e jovens é outro eixo central do Plano Safra 2025/2026. A linha Pronaf Jovem registrou expansão inédita de 1.555% no volume financiado, saltando de R$ 518 mil para R$ 8,6 milhões. Já as mulheres respondem por 42% das operações realizadas em todas as linhas do programa nesta safra.
Segundo o MDA, o acesso ao crédito também avançou entre públicos historicamente excluídos. Entre os povos indígenas, houve aumento de 49,7% no número de operações, com R$ 56,6 milhões financiados, crescimento de 76,7% no valor contratado. Já os pescadores artesanais registraram crescimento de 179,9% no número de contratos, alcançando R$ 127,7 milhões. Entre os extrativistas, o aumento foi de 39% nas operações, com R$ 8,28 milhões financiados, crescimento de 69,6% em relação à safra anterior.
Outras linhas também apresentaram desempenho positivo. O Pronaf Floresta teve crescimento de 81,3% nas operações e de 85% no volume financiado. Já o Pronaf Semiárido e o Pronaf Bioeconomia reforçaram o apoio à convivência com o clima, à produção sustentável e ao uso responsável dos recursos naturais, consolidando o Plano Safra como um dos principais instrumentos de desenvolvimento rural sustentável no país.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
