A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta terça-feira, a Operação Sophia para desarticular uma organização criminosa especializada em aplicar golpes por meio de falsas campanhas de arrecadação na internet. O grupo é investigado por utilizar imagens, vídeos e histórias reais de crianças em tratamento de doenças graves para sensibilizar a população e desviar doações destinadas às vítimas.
A ação é coordenada pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) e cumpre 19 mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Até o momento, 12 pessoas foram presas.
A investigação começou após a mãe de uma menina do Vale do Sinos, que realiza tratamento contra o câncer, denunciar que fotografias e vídeos da filha estavam sendo utilizados sem autorização em anúncios patrocinados nas redes sociais para arrecadar dinheiro. Apesar das campanhas, a família nunca recebeu qualquer valor proveniente das supostas doações.
Segundo a Polícia Civil, os criminosos criavam páginas falsas com nomes como “Clube de Doadores”, “Doadores com Amor” e “Unidos pelo Amor”, utilizando relatos verdadeiros de crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade para dar credibilidade às campanhas. Em uma das mensagens divulgadas, os golpistas afirmavam: “A Sophia tem 5 anos e ainda tem chance. Mas ela precisa de ajuda agora”.
Os anúncios eram impulsionados no Facebook e no Instagram e direcionavam os usuários para sites fraudulentos que imitavam plataformas legítimas de arrecadação, principalmente a Vakinha. Após escolher o valor da doação, a vítima recebia um QR Code Pix ou um código copia e cola, mas os recursos eram enviados para contas controladas pela organização criminosa.
As investigações apontam que o grupo utilizava empresas de fachada, intermediadoras de pagamento, contas bancárias de terceiros, domínios registrados em servidores estrangeiros e sistemas de camuflagem para dificultar o rastreamento dos valores obtidos de forma ilícita.
A Polícia Civil também identificou uma estrutura altamente organizada, com integrantes responsáveis pela criação e hospedagem dos sites falsos, produção de vídeos, gerenciamento de perfis em redes sociais, impulsionamento de anúncios e lavagem do dinheiro. Os criminosos ainda utilizavam ferramentas de inteligência artificial, clonagem de voz, tecnologia de deepfake, sincronização labial e remoção de metadados para tornar as fraudes ainda mais convincentes.
Somente na campanha que originou a investigação, os policiais rastrearam cerca de R$ 294,5 mil arrecadados por meio de chaves Pix e plataformas de pagamento. Durante o aprofundamento das investigações, foi identificada uma empresa utilizada como centro financeiro da organização, que movimentou mais de R$ 1,7 milhão no período analisado.
Batizada de Operação Sophia em homenagem à criança cuja imagem foi explorada pelos criminosos, a ação busca apreender celulares, computadores, dispositivos de armazenamento, documentos e outros materiais que possam fortalecer as investigações pelos crimes de estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A Polícia Civil orienta que, antes de realizar qualquer doação pela internet, a população verifique se a campanha é oficial, confirme as informações diretamente com a família ou instituição responsável e confira se o destinatário da chave Pix corresponde efetivamente ao beneficiário informado.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
