A Polícia Civil, por meio da 4ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico (4ª DIN) do Denarc, deflagrou na manhã desta quinta-feira (28) a Operação Elo Bélico, com foco no combate a uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e munições, transporte interestadual de entorpecentes, receptação, movimentação de valores ilícitos e crimes violentos na região do Vale do Sinos.
Durante a ofensiva, foram cumpridos 29 mandados de prisão preventiva e 31 mandados de busca e apreensão. Até o momento, 20 pessoas foram presas e cinco armas foram apreendidas.
A investigação teve início após o recebimento de informações sobre imóveis utilizados como pontos de apoio do grupo criminoso no bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo. Conforme a apuração, os locais serviam para armazenamento de drogas, ocultação de armas de fogo e distribuição de entorpecentes ligados à facção.
Segundo a delegada Ana Flávia Leite, equipes da 4ª DIN passaram a monitorar os imóveis e identificaram a movimentação suspeita de um dos principais investigados. Durante as diligências, os policiais observaram o transporte de uma sacola plástica pesada para uma área de depósito lateral de uma residência, comportamento compatível com movimentação de drogas.
Na sequência, ao ser abordado, o suspeito desobedeceu às ordens policiais, entrou rapidamente em um imóvel e passou a apontar uma arma de fogo contra os agentes, efetuando disparos em direção à equipe. Durante a fuga, ele pulou janelas e telhados de residências vizinhas e realizou novo disparo contra os policiais civis, conseguindo escapar naquele momento.
No imóvel utilizado pelo investigado, os policiais apreenderam carregador de pistola calibre 9 milímetros, munições, balança de precisão, caderno com anotações do tráfico, aparelhos celulares, documentos e outros objetos relacionados à logística criminosa.
Em outro imóvel investigado, também no bairro Santo Afonso, foram encontrados aproximadamente 4,3 quilos de maconha acondicionados em tijolos, além de munições, carregador, celulares, balança de precisão e materiais utilizados no armazenamento de drogas.
Com autorização judicial, a Polícia Civil realizou a extração e análise dos dados dos celulares apreendidos. A partir desse material, os investigadores identificaram uma ampla rede criminosa com divisão de tarefas e atuação contínua, inclusive com participação de integrantes recolhidos ao sistema prisional, que continuavam coordenando negociações ilícitas por aplicativos de mensagens e intermediários em liberdade.
As investigações revelaram negociações envolvendo maconha, haxixe, cocaína, munições de diversos calibres, carregadores, pistolas, revólveres e tratativas para aquisição de armamentos de maior poder ofensivo. Em diversas conversas analisadas, os investigados discutiam valores, qualidade da droga, formas de pagamento, retirada de material, entrega por terceiros e até troca de veículos por entorpecentes.
Outro ponto identificado pela investigação foi a logística interestadual utilizada pelo grupo criminoso. Conforme a Polícia Civil, os investigados mantinham contatos no Paraná, em região próxima à fronteira, para organizar carregamentos de drogas destinados ao Rio Grande do Sul. Os diálogos tratavam de fretes, motoristas, caminhões, rotas, pagamentos, locais de entrega, batedores e monitoramento de barreiras policiais.
Em uma das situações apuradas, o grupo utilizou um equipamento eletrônico do tipo rádio ou caixa de som para ocultar entorpecentes e dificultar a fiscalização. Vídeos analisados pela investigação mostraram a droga sendo escondida dentro do aparelho, mantendo o equipamento em funcionamento para dissimular o transporte ilícito.
As investigações também apontaram que os criminosos monitoravam em tempo real a atuação policial. Os suspeitos comentavam operações, barreiras em rodovias, movimentação de viaturas, abordagens a caminhões e até o uso de scanner veicular pelas forças de segurança.
Além disso, os investigadores identificaram um controle contábil paralelo da atividade criminosa. Em mensagens analisadas, os integrantes compartilhavam registros de entrada e saída de drogas, mencionando movimentações de dezenas de quilos de entorpecentes destinados a diferentes integrantes e compradores.
As conversas interceptadas também demonstraram o uso de fotos e vídeos das drogas para comprovar a qualidade dos entorpecentes aos compradores. Os criminosos discutiam coloração, cheiro, textura, presença de sementes e a necessidade de apresentar o material antes da venda.
A investigação ainda apontou intensa circulação de material bélico, com compra, venda e troca de munições, carregadores e armas de fogo, inclusive com participação de pessoas presas que continuavam realizando encomendas e negociações de dentro do sistema prisional.
Além do tráfico de drogas e do comércio ilegal de armas, a análise dos dados telemáticos revelou elementos relacionados a crimes violentos. Foram identificados diálogos compatíveis com a coordenação de ações criminosas envolvendo restrição de liberdade de vítimas, deslocamentos em tempo real e possível ligação com um homicídio ocorrido em Novo Hamburgo.
Conforme a delegada Ana Flávia Leite, a investigação demonstrou que o grupo atuava de forma organizada, armada e permanente, com capacidade de movimentar drogas entre estados, negociar armas e munições, utilizar intermediários financeiros, empregar linguagem codificada e manter articulações criminosas mesmo a partir do sistema prisional.
A ação integra a Operação Narke, coordenada nacionalmente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública no combate ao tráfico de entorpecentes e às organizações criminosas.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte e foto: Polícia Civil RS
