O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) instaurou, na quarta-feira (28), procedimento para acompanhar o caso do cão comunitário baleado durante uma abordagem policial em Campo Bom, no Vale do Sinos. O animal foi atingido por disparos efetuados por um policial militar.
Conforme o MP, foram solicitadas informações à Brigada Militar sobre o ocorrido. A corporação informou que instaurou procedimento interno por meio da Corregedoria para investigar a atuação dos policiais envolvidos na ocorrência.
O Ministério Público também acompanha o inquérito conduzido pela Polícia Civil e reúne provas e informações divulgadas sobre o caso com o objetivo de responsabilizar civil e criminalmente o autor do disparo. Segundo a promotora de Justiça de Campo Bom, Ivanda Grapiglia Valiati, não está descartada a possibilidade de ajuizamento de ação civil contra o Estado por dano moral coletivo e dano ambiental.
Ainda dentro das diligências, está prevista para esta sexta-feira (30) uma reunião entre representantes do Ministério Público e integrantes da ONG Campo Bom pra Cachorro, entidade responsável pelo resgate e atendimento do animal após o ocorrido.
Caso ocorreu durante abordagem policial
O caso ocorreu na noite de 27 de janeiro, no bairro Barrinha, quando um policial militar foi flagrado por câmeras de vigilância efetuando disparos contra o cão comunitário conhecido como Negão, que acabou ferido nas patas traseiras.
Segundo relato divulgado pela vereadora Kayanne Braga, a Brigada Militar realizava abordagem a moradores por volta das 20h30 quando um dos policiais teria pisado na pata do cachorro. O animal teria reagido com um grito, mas sem atacar o policial, que, ainda assim, efetuou o disparo.
Após o ocorrido, o animal foi resgatado pela ONG Campo Bom pra Cachorro e encaminhado para atendimento em clínica veterinária, onde permanece em tratamento.
Versão da Brigada Militar
Em nota oficial, o 32º Batalhão da Brigada Militar informou que a abordagem ocorreu em razão de resistência e desacato por parte de indivíduos abordados e que, durante a ação, o cão teria investido contra a guarnição, mordendo uma policial na perna direita.
Conforme a corporação, para conter a investida, um dos policiais realizou disparo com munição não letal. Os envolvidos na ocorrência foram encaminhados para exames de lesões corporais e posteriormente levados à Delegacia de Polícia.
A Brigada Militar informou ainda que os fatos estão sendo apurados internamente e reafirmou compromisso com a legalidade da atuação policial e com o respeito aos direitos humanos e à defesa dos animais.
Secretaria da Segurança Pública determinou apuração
A Secretaria da Segurança Pública do Estado informou que determinou a imediata apuração dos fatos, e que o caso será investigado pela Corregedoria-Geral da Brigada Militar, incluindo a análise da abordagem e da atuação dos policiais envolvidos.
O episódio gerou ampla repercussão em Campo Bom e reacendeu o debate sobre protocolos de abordagem policial e proteção de animais em situações de ocorrência.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: GZH
