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    Início » Mensagens entre dono do Banco Master e Alexandre de Moraes aparecem em celular apreendido pela Polícia Federal
    Polícia

    Mensagens entre dono do Banco Master e Alexandre de Moraes aparecem em celular apreendido pela Polícia Federal

    Fernando KopperFernando Kopper6 de março de 202604 Mins Read5

    Uma troca de mensagens entre o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, foi encontrada pela Polícia Federal (PF) no celular do banqueiro durante as investigações que levaram à sua prisão em novembro.

    De acordo com os registros, uma das últimas mensagens enviadas por Vorcaro antes de ser detido ocorreu às 17h26 do dia 17 de novembro. Pelo WhatsApp, o empresário perguntou ao ministro: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Moraes respondeu logo em seguida, porém o conteúdo da resposta não pôde ser identificado, pois foram utilizadas mensagens com visualização única, recurso que faz com que o texto desapareça após ser lido.

    A PF localizou essa conversa no aparelho do empresário, preso às 22h do mesmo dia no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai, com escala em Malta.

    Os investigadores também encontraram outro registro de diálogo entre Vorcaro e Moraes datado de 1º de outubro de 2025. Nesse caso, porém, também não foi possível recuperar o conteúdo das mensagens, pois elas teriam sido apagadas ou enviadas com o mesmo recurso de visualização única.

    Além das mensagens, a investigação aponta que houve telefonemas entre os dois. Mesmo assim, ao ser questionado sobre o caso, o ministro negou a existência das conversas. Em resposta enviada por meio da assessoria de imprensa do STF, Moraes afirmou que não recebeu as mensagens mencionadas.

    “O ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”, declarou a assessoria do magistrado. A defesa de Vorcaro preferiu não comentar o assunto.

    Segundo a Polícia Federal, no momento em que enviou a mensagem ao ministro, o banqueiro já tinha conhecimento do inquérito que investigava a venda de carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB). As apurações indicam que Vorcaro teria descoberto a investigação ao acessar ilegalmente sistemas da própria corporação policial, além de consultar procedimentos do Ministério Público relacionados ao caso.

    A investigação revelou ainda que o empresário mantinha um esquema de corrupção com dois chefes de supervisão do Banco Central, identificados como Paulo Sergio Souza e Belline Santana. De acordo com a PF, eles avisavam o banqueiro sobre monitoramentos feitos pela autarquia, revisavam documentos e orientavam sobre como agir em reuniões com o órgão regulador.

    Souza chegou a assinar um ofício do Banco Central entregue à defesa de Vorcaro após a prisão, no qual constava que o empresário teria comunicado previamente uma viagem a Dubai, onde supostamente negociaria a venda do Banco Master a investidores árabes.

    No mesmo dia em que enviou a mensagem ao ministro do STF, o banco também fez movimentos considerados estratégicos. Um deles foi o envio de uma petição à 10ª Vara Federal de Brasília, onde tramitava o inquérito sob sigilo, tentando impedir a execução de medidas cautelares contra o empresário.

    O documento foi encaminhado por e-mail à Justiça às 15h47. Nele, os advogados de Vorcaro se posicionavam contra eventuais medidas que pudessem causar “impacto relevante” e “prejuízo irreversível” ao conglomerado financeiro.

    Entretanto, apenas 18 minutos antes, às 15h29, o juiz federal Ricardo Leite já havia determinado a prisão do banqueiro, decisão que deveria ser conhecida apenas pelo magistrado e pelos investigadores.

    Ainda naquele dia, o Banco Master anunciou ao mercado a venda da instituição para o grupo Fictor, em um negócio que envolveria cerca de R$ 3 bilhões e participação de investidores árabes. O comunicado foi divulgado às 17h24, pouco antes da mensagem enviada por Vorcaro ao ministro.

    O anúncio, contudo, não detalhava as condições da negociação nem identificava os supostos investidores estrangeiros. Segundo a assessoria do grupo Fictor, as informações seriam apresentadas dias depois, o que não ocorreu.

    Na mesma noite, Vorcaro foi preso no aeroporto de Guarulhos. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, enquanto a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras e corrupção envolvendo a instituição.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fonte: O Globo – jornalista Manu Gaspar

    Fernando Kopper

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