Logo na abertura da entrevista, Diego agradeceu o convite e destacou a satisfação em falar sobre um tema que faz parte da sua trajetória desde a infância. Praticante de artes marciais desde os cinco anos de idade, ele relembrou o início da caminhada ainda em Cruz Alta, na Academia Sol Nascente, com o professor Badique Daer, já falecido, e o percurso por diferentes escolas até se encontrar definitivamente no sistema Asamco, modalidade que pratica desde os 10 anos de idade.
Ao longo da conversa, Diego enfatizou que o principal pilar das artes marciais não é a agressividade, mas a disciplina. Segundo ele, a maior luta do praticante não é contra um adversário externo, mas contra si mesmo. “A disciplina da arte marcial permite uma verdadeira educação emocional. É um sistema regrado, bem estruturado, que ensina o indivíduo a lidar com frustrações, tensões e impulsos”, explicou.
Durante a entrevista, Diego fez um relato pessoal marcante ao contar que ficou cerca de três anos afastado dos treinos. Nesse período, passou a enfrentar problemas de saúde, como picos de pressão arterial, além de perceber mudanças negativas no seu comportamento emocional. O retorno às artes marciais aconteceu após um episódio de forte estresse no trabalho, quando percebeu que já não estava agindo de acordo com a própria essência. “Naquele momento eu pensei: esse não sou eu. Preciso me reencontrar”, relatou.
A retomada da rotina de treinos, aliada à musculação e a atividades físicas regulares, trouxe resultados rápidos e concretos. Em cerca de quatro meses, Diego perdeu 13 quilos, controlou a hipertensão e, principalmente, recuperou o equilíbrio emocional. Para ele, o exercício físico funciona como uma terapia acessível, capaz de liberar tensões, reorganizar pensamentos e devolver a autoestima.
Outro ponto destacado foi a capacidade das artes marciais de ensinar o controle emocional em situações extremas. Diego contou que recentemente conseguiu apaziguar um conflito envolvendo um homem alterado que ameaçava uma mulher, usando apenas diálogo e postura calma, sem qualquer reação física. “A arte marcial ensina a evitar a briga. A verdadeira força está em não reagir impulsivamente, mas agir com consciência”, afirmou.
Ao ser questionado sobre o impacto psicológico do retorno às artes marciais, Diego foi direto ao afirmar que a prática o ajudou a reencontrar sua identidade. “A atividade física reequilibra. Não é sobre força ou violência, mas sobre movimento, disciplina e constância. É isso que faz o corpo e a mente voltarem ao eixo”, disse.
Durante a entrevista, Diego também fez questão de reconhecer a importância dos mestres e professores que marcaram sua formação, citando nomes como Badique, Marcelo Morça, Anelise Pedrazi, além de mestres que contribuíram não apenas para a técnica, mas para a construção do seu caráter. Ele lembrou ainda de ex-alunos que seguiram outros caminhos profissionais, como um médico que atribuiu à disciplina das artes marciais a base necessária para passar no vestibular.
Na reta final da conversa, Diego deixou um recado direto aos ouvintes que ainda adiam o início de uma atividade física. “Nem que seja uma caminhada de meia hora por dia. O mundo é cruel, é implacável, e a gente precisa de um momento para nós mesmos. A atividade física devolve autoestima, clareza e propósito”, afirmou, reforçando a mensagem central do Janeiro Branco.
Além de falar sobre saúde mental, Diego aproveitou o espaço para divulgar seus projetos profissionais. Ele é proprietário da Agência Tempora, mantém o portal Pauta Serrana de Notícias, onde publica colunas semanais, é autor de mais de 13 livros e conduz o canal Maçonizando, no YouTube, dedicado a entrevistas e debates sobre maçonaria.
A entrevista foi considerada um dos destaques da edição do Giro da Notícia, trazendo uma abordagem prática, humana e profunda sobre saúde mental, disciplina e autocuidado. A íntegra do conteúdo, com áudio anexado, ficou disponível no site da Rádio Planetário, ampliando o alcance da reflexão proposta dentro da campanha Janeiro Branco.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
