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    Início » IPM conclui que não houve crime em ação da Brigada Militar que terminou com morte de agricultor em Pelotas
    Polícia

    IPM conclui que não houve crime em ação da Brigada Militar que terminou com morte de agricultor em Pelotas

    Fernando KopperFernando Kopper3 de abril de 202603 Mins Read7

    A Brigada Militar concluiu o Inquérito Policial Militar (IPM) que investigava a morte do agricultor Marcos Daniel Nörnberg, ocorrida em janeiro deste ano, em Pelotas. O relatório final aponta que não houve crime por parte dos policiais envolvidos na ocorrência.

    De acordo com o documento, obtido pelo jornal Correio do Povo, a ação teve início durante uma operação destinada a localizar suspeitos de um roubo com sequestro registrado dias antes na zona rural do município. Durante a abordagem na residência, houve troca de tiros entre os policiais e o morador.

    A perícia indicou disparos realizados tanto do lado de fora quanto de dentro do imóvel, caracterizando uma situação de “fogo cruzado”. Ainda conforme o relatório, há elementos técnicos que apontam que o agricultor teria efetuado disparos com um rifle calibre .22 dentro da casa. Também foram identificados múltiplos disparos provenientes de diferentes posições ao redor da residência, concentrados na área onde a vítima estava.

    O IPM concluiu que a atuação dos agentes ocorreu dentro do contexto de uma operação legítima. Segundo trecho do documento, o volume de disparos efetuados pelos policiais do 4º BPM e do 5º BPChq é considerado tecnicamente justificado, com base em conceitos como “Incapacitação Tardia” e “Doutrina da Resposta Não Convencional”. A investigação aponta ainda que a morte decorreu de uma “intensa e caótica troca de tiros iniciada pelo morador sob erro de percepção”.

    Outro ponto analisado foi a suspeita de tortura contra Raquel Nörnberg, esposa da vítima. Conforme o relatório, a hipótese foi descartada. O Instituto-Geral de Perícias concluiu que as lesões apresentadas não são compatíveis com tortura, resposta reforçada de forma categórica pela perícia oficial.

    Apesar de afastar a existência de crime, o IPM apontou falhas na condução da operação, especialmente no planejamento. O documento destaca a ausência de delineamento tático, falta de definição clara de comando e inexistência de análise prévia do cenário ou planos de contingência, fatores que teriam contribuído para a desorganização da ação. Ainda assim, a conclusão é de que não houve dolo ou má-fé, mas sim erro de avaliação de risco e excesso de ímpeto operacional.

    Paralelamente, a investigação da Polícia Civil segue em andamento. O caso está sob responsabilidade do delegado Thiago Carrijo, do Departamento de Homicídios do Interior, e deve ser concluído nos próximos dias. A delegada Walquíria Meder, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Pelotas, solicitou afastamento das investigações.

    Em nota, a Brigada Militar informou que o IPM foi encaminhado à Justiça Militar do Estado e que o caso segue sob sigilo. A corporação afirmou ainda que só irá se manifestar de forma conclusiva após o encerramento das investigações nas duas esferas.

    A viúva do agricultor, Raquel Motta Nörnberg, criticou duramente o resultado do inquérito. Ela afirmou que já esperava a conclusão, mas classificou o relatório como “muito triste”, alegando falta de imparcialidade. Segundo Raquel, a leitura do documento foi uma “nova tortura” e contestou os apontamentos periciais, afirmando que pretende buscar a federalização do caso e contratar um perito particular.

    Já o advogado dos policiais, Rafael Romeu, defendeu a atuação dos agentes, afirmando que eles agiram em legítima defesa e dentro dos protocolos técnicos. Segundo ele, houve ordem para que o morador largasse a arma antes do início dos disparos e o primeiro tiro teria atingido um escudo balístico. O defensor também criticou o que classificou como pressão política em torno do caso.

    O desfecho do inquérito da Polícia Civil deve trazer novos elementos sobre o caso, que segue gerando repercussão e divergência entre as partes envolvidas.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fonte: Correio do Povo

    Fernando Kopper

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