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    Início » Impasse entre governo federal e setor produtivo trava socorro a produtores do RS e amplia tensão em Brasília
    Agronegócio

    Impasse entre governo federal e setor produtivo trava socorro a produtores do RS e amplia tensão em Brasília

    Fernando KopperFernando Kopper30 de abril de 202602 Mins Read3

    Uma reunião realizada nesta quarta-feira, 29/04, no Ministério da Fazenda, evidenciou o impasse entre o governo federal e representantes do agronegócio do Rio Grande do Sul em torno de medidas de socorro financeiro aos produtores rurais. O encontro terminou sem consenso e com sinais de desgaste nas negociações.

    Participaram da reunião técnicos das áreas econômica e de planejamento do governo, representantes do Banco do Brasil, assessores ligados aos senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Tereza Cristina (PP-MS), além do economista-chefe da Farsul, Antonio da Luz.

    O principal ponto de divergência é a diferença entre o Projeto de Lei 5122, defendido pelo setor produtivo, e a Medida Provisória em elaboração pelo governo. Segundo representantes do agro, há um “hiato gigantesco” entre as propostas, principalmente pela falta de solução para os chamados recursos livres — financiamentos contratados a juros de mercado.

    De um passivo estimado em R$ 82 bilhões junto ao sistema bancário, cerca de R$ 63 bilhões correspondem a essas linhas, que, segundo o setor, não estão contempladas nas medidas do governo. Sem esse atendimento, a avaliação é de que qualquer iniciativa será insuficiente para resolver a crise.

    Por outro lado, o Ministério da Fazenda sustenta que já foram adotadas diversas ações de renegociação. O argumento, no entanto, foi contestado pelos representantes do setor, que afirmam que, se as medidas fossem eficazes, o problema já teria sido solucionado.

    Outro ponto de conflito envolve a origem dos recursos para viabilizar o socorro. O governo resiste em utilizar verbas do Fundo Social do Pré-sal, alegando que os valores já possuem destinação definida. Já o setor produtivo defende que o Congresso pode redirecionar esses recursos.

    Há expectativa de que, caso o governo não apresente uma Medida Provisória alinhada ao conteúdo do PL 5122 nos próximos dias, o Senado avance com a votação do projeto. Ainda assim, produtores demonstram preocupação com a demora na tramitação completa da proposta, que poderia postergar os efeitos práticos até 2027.

    Diante disso, a estratégia do setor é pressionar pela edição de uma medida provisória que permita resposta imediata, evitando agravamento da crise e impactos econômicos mais amplos.

    Novas rodadas de negociação técnica estão previstas, com possibilidade de novos encontros em Brasília nos próximos dias, na tentativa de construir uma solução que atenda às demandas dos produtores gaúchos.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper

    Fernando Kopper

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