A colheita da primeira safra de feijão no Rio Grande do Sul está em fase final, com avanço consistente e resultados, na maior parte das regiões, dentro das estimativas iniciais. Os dados são do Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, que aponta variações importantes de produtividade, influenciadas principalmente pelas condições hídricas ao longo do ciclo.
A área cultivada no estado é estimada em 23.029 hectares, com produtividade média projetada de 1.781 quilos por hectare. Apesar do desempenho considerado satisfatório, os números evidenciam diferenças expressivas entre sistemas de cultivo.
Na região dos Campos de Cima da Serra, principal polo produtor gaúcho, a colheita está praticamente concluída. Nas áreas irrigadas, os rendimentos chegaram a até 2.800 kg/ha, enquanto nas lavouras de sequeiro a produtividade variou entre 900 e 1.200 kg/ha. A média regional, segundo a Emater, não deve ultrapassar 1.200 kg/ha, refletindo o impacto direto da disponibilidade de água.
Para a segunda safra, o cenário é mais favorável. As lavouras estão, em sua maioria, em fase reprodutiva avançada, com enchimento de grãos e início de maturação. A boa umidade do solo e as temperaturas amenas têm contribuído para o desenvolvimento das plantas e garantido bom potencial produtivo.
A projeção indica uma área cultivada de 11.690 hectares e produtividade média de 1.401 kg por hectare. A colheita ocorre de forma gradual, acompanhando o estágio das lavouras, sem grandes variações entre as regiões.
No aspecto fitossanitário, as condições são consideradas estáveis na maior parte do estado, com baixa incidência de pragas e doenças. Ainda assim, o aumento da umidade relativa do ar exige atenção redobrada dos produtores, especialmente quanto ao risco de doenças fúngicas.
Na região de Soledade, por exemplo, há registro de maior pressão de doenças como a antracnose, embora sem impacto significativo na produtividade até o momento.
O desenvolvimento das lavouras também varia conforme a região. Em Ijuí, cerca de 64% das áreas estão em enchimento de grãos, 14% já maduras e 5% colhidas. Já em Santa Maria, aproximadamente 30% da área foi colhida, com rendimentos dentro do esperado.
O cenário geral confirma as estimativas iniciais da safra no Rio Grande do Sul, mas reforça a importância do manejo hídrico e do monitoramento fitossanitário contínuo para garantir estabilidade e produtividade nas lavouras.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
