Quatro casos de Febre do Nilo Ocidental já foram confirmados em humanos no Brasil em 2026. Dois casos foram registrados em Santa Catarina e outros dois em São Paulo. Em Santa Catarina, um dos pacientes morreu, mas ainda está sob investigação se a doença foi a causa principal do óbito. Também há um caso considerado provável no Piauí.
No Rio Grande do Sul, segundo a Secretaria Estadual da Saúde (SES), não há casos suspeitos ou confirmados da doença.
A Febre do Nilo Ocidental é causada por um arbovírus e transmitida principalmente por mosquitos do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos. Diante da confirmação de novos casos no país, especialistas reforçam a importância das medidas de prevenção, especialmente o controle dos mosquitos e o uso de repelentes. Atualmente, não existe vacina contra a doença.
Rio Grande do Sul mantém monitoramento
A Secretaria Estadual da Saúde informa que mantém monitoramento constante da situação epidemiológica. Desde 2002, o Estado realiza vigilância de epizootias, acompanhando surtos de doenças em animais.
Equinos e outros animais que apresentam sinais compatíveis com doenças de interesse para a saúde pública, incluindo a Febre do Nilo Ocidental, podem ser submetidos a testes.
Também já foram realizadas ações de monitoramento de mosquitos, incluindo espécies do gênero Culex. Conforme a SES, entretanto, diante do cenário epidemiológico dos últimos anos, a manutenção desse monitoramento específico para a Febre do Nilo não havia sido considerada necessária.
O Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) acompanha permanentemente a situação epidemiológica e entomológica e pode reavaliar as estratégias de vigilância caso haja mudança no risco ou novas evidências que justifiquem a ampliação das ações.
Sintomas podem variar de leves a graves
Entre os principais sintomas da Febre do Nilo Ocidental estão febre, dor de cabeça e dores musculares e articulares.
Em casos mais graves, o vírus pode atingir o sistema nervoso e provocar comprometimento cerebral, com confusão mental, sonolência e, em situações mais severas, coma e até morte.
Segundo o médico infectologista Kleber Giovani Luz, membro do comitê de arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o vírus apresenta maior risco de evolução grave em pessoas com mais de 60 anos.
Não existe medicamento específico contra a Febre do Nilo Ocidental. O tratamento é voltado ao controle dos sintomas.
A orientação é procurar atendimento médico diante do surgimento de febre acompanhada de dores de cabeça, musculares ou articulares, especialmente a partir do segundo dia de sintomas ou diante de sinais de maior gravidade.
O diagnóstico é realizado por meio de exames que procuram o RNA do vírus na corrente sanguínea. Quando há alteração do nível de consciência, também pode ser necessária a análise do líquido da espinha.
Controle do mosquito é principal medida de prevenção
De acordo com o infectologista, o controle dos mosquitos é uma das principais formas de prevenção. O uso de repelente também é recomendado.
O vírus pode circular entre aves, mosquitos e outros animais. As aves infectadas têm papel importante na disseminação, já que podem se deslocar entre diferentes regiões. Equinos também podem ser infectados.
Apesar da presença do vírus e da confirmação de casos no país, o especialista avalia que a doença não deve alcançar a mesma dimensão de uma epidemia de dengue.
A Febre do Nilo Ocidental recebeu esse nome devido à região onde foi identificada pela primeira vez e tem ocorrência principalmente no Hemisfério Norte, com destaque para os Estados Unidos.
No Rio Grande do Sul, a Secretaria Estadual da Saúde mantém o acompanhamento da situação e, até o momento, não registra casos suspeitos ou confirmados em humanos.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Diário Gaúcho
