O mercado brasileiro de farelo de soja enfrentou um cenário desafiador ao longo de 2025, influenciado principalmente por fatores externos, mesmo diante de expectativas positivas para o consumo interno do produto. A análise consta no Boletim Logístico – Ano IX, edição de janeiro de 2026, divulgado nesta semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que detalha o comportamento do setor e o desempenho logístico das exportações do subproduto da soja.
Segundo a Conab, o principal fator de pressão sobre os preços foi a forte queda das cotações do óleo de soja negociado na Bolsa de Chicago, referência internacional para o complexo da soja. Como os mercados de óleo e farelo possuem forte correlação, a desvalorização do primeiro acabou refletindo também no desempenho do segundo, impactando a rentabilidade e os preços praticados no comércio internacional.
O boletim destaca ainda que o recuo foi intensificado por fatores macroeconômicos, como a queda expressiva nos preços do petróleo ao longo do ano e a realização de lucros por parte de fundos de investimento, movimento comum após ciclos de alta nas commodities agrícolas. Outro ponto citado no relatório foi a divulgação do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que surpreendeu o mercado ao indicar aumento da área colhida e da produção, elevando os estoques finais globais, mesmo com o crescimento do consumo interno em alguns países.
Apesar do ambiente internacional pressionado, o Brasil manteve desempenho consistente nas exportações de farelo de soja. Entre janeiro e dezembro de 2025, o país embarcou 23,3 milhões de toneladas do produto, volume levemente superior às 23,1 milhões de toneladas exportadas em igual período de 2024, demonstrando estabilidade na demanda externa pelo subproduto brasileiro.
O porto de Santos permaneceu como principal corredor de escoamento, concentrando 43,2% dos embarques nacionais, embora tenha registrado leve queda em participação na comparação com o ano anterior, quando respondeu por 44,5% do total exportado. Paranaguá, por sua vez, ampliou discretamente sua fatia, passando de 27,2% para 27,8% dos embarques nacionais.
Já o porto do Rio Grande também registrou crescimento em sua participação, respondendo por 16,9% das exportações, ante 15,2% no ano anterior. O porto de Salvador, por sua vez, apresentou avanço proporcional ainda mais significativo, concentrando 7,4% do volume embarcado, acima dos 6,6% registrados em 2024.
Em relação à origem do farelo exportado, os estados de Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás seguem liderando a produção destinada ao mercado externo, reflexo da forte presença da agroindústria da soja nessas regiões e da consolidação das cadeias logísticas de escoamento.
A Conab ressalta que, apesar das oscilações externas, o mercado interno segue sustentado pela demanda da cadeia de proteínas animais, especialmente nos setores de aves e suínos, que utilizam o farelo como principal componente proteico na alimentação. Ainda assim, o comportamento dos preços internacionais continuará sendo fator decisivo para o desempenho do segmento ao longo de 2026.
O relatório conclui que o cenário exige atenção dos produtores e agentes do setor, especialmente diante da volatilidade global das commodities e das mudanças nos fluxos comerciais internacionais, que podem alterar rapidamente o equilíbrio entre oferta e demanda.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Agrolink
