Um homem de 34 anos, identificado como Ademar Correa, foi indiciado pela Polícia Civil na quarta-feira (21) por exercício ilegal da profissão, falsificação de documentos e lesão corporal. Segundo a investigação, ele atuava como falso médico em uma clínica no centro de Frederico Westphalen, no norte do Rio Grande do Sul, utilizando nomes e números de registro de três médicos para emitir receitas e solicitar exames.
A investigação começou no início de 2026, depois que profissionais da medicina identificaram que seus números de registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) estavam sendo utilizados indevidamente. Conforme a Polícia Civil, pelo menos 16 pessoas foram lesadas pelos atendimentos realizados pelo investigado.
Entre os casos apurados, um paciente relatou a piora de uma lesão na pele após utilizar um tratamento indicado pelo suspeito. De acordo com o delegado Jacson Boni, responsável pela investigação, Ademar tinha formação em Biomedicina, além de formação na área de cosmetologia e estética e especialização em dermatologia, mas não possuía graduação em Medicina nem registro profissional para exercer a atividade médica.
Segundo o delegado, o homem realizava consultas, extraía pintas, prescrevia medicamentos e solicitava exames, praticando atos privativos de médicos.
Durante a investigação, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na clínica e na residência do suspeito. Os agentes recolheram equipamentos eletrônicos, documentos e carimbos com nomes de médicos reais. A análise do material apreendido também apontou que o investigado alterava resultados de exames médicos, conforme as informações divulgadas pela polícia.
As autoridades solicitaram a prisão preventiva do homem, mas o Poder Judiciário negou o pedido. A Justiça, entretanto, determinou medidas cautelares, incluindo a proibição de exercer qualquer atividade relacionada à área da saúde.
O inquérito policial foi encaminhado ao Ministério Público. Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) afirmou que o investigado realizava atos privativos de médicos, colocando em risco a saúde e a segurança dos pacientes. A entidade também informou que realizou fiscalizações na clínica e que ajuizará uma ação civil pública contra o responsável.
A defesa de Ademar Correa, representada pelo advogado Evandro Fábio Zuch, informou à reportagem que não se manifestará neste momento, pois ainda não teve acesso ao inquérito policial.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: GZH
