A crise financeira enfrentada pela Cotribá, considerada a cooperativa agropecuária em atividade mais antiga do Brasil, segue se agravando e gerando preocupação crescente entre produtores rurais ligados à instituição. Novas informações obtidas nesta semana pela reportagem apontam situações que aumentam ainda mais a insegurança dos associados e agricultores que mantêm relações comerciais com a cooperativa.
Uma das situações que mais vem causando indignação envolve produtores que adquiriram insumos agrícolas para as lavouras de inverno de 2025 junto à cooperativa. Conforme prática comum nas operações do setor, os agricultores assinaram títulos com vencimento previsto para 30 de novembro de 2025, referentes ao pagamento dos insumos utilizados no plantio.
Segundo relatos dos produtores, as lavouras foram implantadas, colhidas e a produção entregue conforme os compromissos assumidos contratualmente. Muitos agricultores afirmam ter realizado a liquidação das operações por meio da entrega de grãos e outros mecanismos previstos nos contratos, acreditando que as dívidas estavam totalmente quitadas.
O problema teria surgido após diversos produtores passarem a receber cobranças da empresa SP Capital FIDC, sediada em Itapema, em Santa Catarina. Conforme os relatos, o fundo teria adquirido os títulos da cooperativa através de operações de cessão de crédito ou antecipação de recebíveis.
De acordo com os agricultores, a cooperativa teria recebido antecipadamente os valores referentes à venda desses créditos, porém os títulos permaneceram ativos junto ao fundo adquirente. Como consequência, produtores que afirmam já ter quitado suas obrigações passaram a ser cobrados novamente pela empresa cessionária.
Ainda conforme os relatos, alguns casos já resultaram em protestos dos títulos em cartório e inclusão dos nomes dos produtores em cadastros de inadimplentes, gerando restrições de crédito, constrangimentos e prejuízos financeiros aos agricultores envolvidos.
Além da preocupação dos produtores, a situação judicial da cooperativa também teve novos desdobramentos nesta semana. Em decisão relacionada ao processo de recuperação judicial da Cotribá, o juiz responsável reconsiderou entendimento anterior após decisões do Tribunal em agravos apresentados por credores.
Na decisão, o magistrado autorizou o prosseguimento dos atos de consolidação da propriedade da Unidade Cruz Alta em favor do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), envolvendo o imóvel matriculado sob o número 14.757 no Cartório de Registro de Imóveis de Cruz Alta.
O texto da decisão também autoriza o levantamento de eventuais averbações relacionadas à essencialidade do imóvel e libera o prosseguimento dos atos de excussão extrajudicial da propriedade.
Além disso, foi determinada a busca e apreensão de 61 mil sacas de soja armazenadas pela cooperativa, em pedido apresentado pela FMC Química do Brasil Ltda.
Os novos acontecimentos ampliam a preocupação no setor agropecuário regional, especialmente entre produtores associados e credores da cooperativa, que acompanham com apreensão os desdobramentos financeiros e judiciais envolvendo a Cotribá.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
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