Pouco mais de quatro meses após assumir o comando da Cotribá (Cooperativa Agrícola Mista General Osório), o executivo Luís Felipe Maldaner foi demitido do cargo de CEO. A decisão ocorre em meio a um amplo processo de reestruturação financeira da cooperativa, que enfrenta um endividamento estimado em R$ 1 bilhão. Fundada há 115 anos, a Cotribá é considerada a cooperativa mais antiga do Brasil.
Maldaner afirmou que foi comunicado de seu desligamento na terça-feira da semana passada, tendo a sexta-feira (23) como seu último dia de trabalho. Segundo ele, não foi apresentado um motivo específico para a decisão, apenas a informação de que o conselho de administração optou pela troca no comando executivo.
— Não teve nenhum motivo específico que foi me alegado. Apenas que o conselho decidiu pela troca do CEO — declarou.
Além da saída do CEO, a cooperativa também encerrou o contrato com a empresa de consultoria Tarvos, que havia sido contratada neste mês justamente para auxiliar no processo de reestruturação e nas negociações relacionadas ao passivo financeiro. Conforme relatado, o contrato teve duração de apenas uma semana antes de ser rescindido.
— Foi contratada por uma semana e logo foi realizado o distrato — afirmou Maldaner.
Procurada para comentar as mudanças na gestão e a saída da consultoria, a Cotribá informou que, neste momento, não irá se manifestar oficialmente sobre o assunto. Luís Felipe Maldaner é professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e construiu carreira de 36 anos no Banco do Brasil antes de assumir a função na cooperativa.
Recuperação judicial aguarda decisão do TJRS
O cenário de incerteza administrativa ocorre paralelamente à tramitação do pedido de recuperação judicial da Cotribá. O julgamento está previsto para o final de fevereiro, quando o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul deverá decidir se a cooperativa poderá ou não seguir com o processo.
Inicialmente, o pedido de recuperação judicial foi protocolado e deferido pela Vara Empresarial de Santa Rosa. No entanto, a decisão gerou 12 recursos, a maioria apresentada por credores, o que resultou na concessão de efeito suspensivo. Com isso, a análise definitiva caberá ao sexto colegiado do Tribunal de Justiça.
Enquanto aguarda a decisão judicial, a Cotribá já trabalha na elaboração de um plano de reestruturação. Entre as medidas em estudo está a venda prioritária de ativos localizados mais distantes da sede da cooperativa, com o objetivo de levantar recursos para o pagamento de credores e garantir o capital de giro necessário para a continuidade das operações.
Para fundamentar o pedido de recuperação judicial, o advogado Paulo Mothes, do escritório Mothes Advogados, destacou a relevância econômica e social da Cotribá para a região de Ibirubá e para o Rio Grande do Sul. Atualmente, a cooperativa conta com 9,5 mil associados e cerca de mil funcionários.
A estrutura operacional da Cotribá inclui 29 unidades de armazenagem de grãos, uma indústria de ração, 25 lojas agropecuárias, cinco postos de combustíveis, quatro supermercados, um centro comercial, além de outras atividades que sustentam sua presença no setor agroindustrial gaúcho.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: GZH
