A atualização no enquadramento tarifário aplicada pela Corsan, concessionária de água e esgoto controlada pelo grupo Aegea, passou a provocar debates e preocupações entre empresários do turismo no Rio Grande do Sul. A medida altera a forma de cálculo das tarifas para hotéis e pousadas, passando a considerar o número de quartos de cada estabelecimento.
De acordo com a concessionária, a mudança representa uma adequação cadastral e regulatória, e não um aumento de tarifas. Já representantes do setor hoteleiro afirmam que a nova metodologia pode elevar custos operacionais e até comprometer a viabilidade de alguns empreendimentos, principalmente em períodos de baixa ocupação.
O impasse envolve duas posições distintas. Enquanto a Corsan defende a padronização do enquadramento por unidade consumidora, empresários do turismo argumentam que o modelo pode penalizar estabelecimentos que enfrentam grande variação de ocupação ao longo do ano.
O que muda no modelo de cobrança
Com a atualização, cada quarto de hotel ou pousada passa a ser considerado uma unidade consumidora para fins de cálculo da tarifa de água e esgoto. O sistema passa a se assemelhar ao modelo utilizado em condomínios ou imóveis com múltiplas unidades, substituindo a cobrança única aplicada anteriormente ao estabelecimento como um todo.
Segundo a Corsan, a mudança busca refletir de forma mais adequada o perfil de consumo desses empreendimentos, além de seguir diretrizes da Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento do Rio Grande do Sul (Agesan-RS) para imóveis com múltiplas unidades.
A concessionária também informou que mantém diálogo com representantes do setor para considerar a sazonalidade da atividade turística, que provoca variações significativas na taxa de ocupação ao longo do ano.
Posição da concessionária
Em comunicados divulgados em março de 2026, a empresa sustenta que a atualização não deve provocar aumento global nas contas dos hotéis, pois a tarifa aplicada por unidade seria proporcionalmente menor.
Conforme a Corsan, a iniciativa tem como objetivo organizar a base de dados da concessionária e regularizar o enquadramento de estabelecimentos que possuem diversas unidades habitacionais.
Mesmo assim, representantes do setor afirmam que o novo modelo pode ampliar a parcela fixa da cobrança, o que poderia elevar os custos operacionais.
Reação do setor hoteleiro
Entidades ligadas ao turismo, especialmente em regiões com forte atividade turística no estado, passaram a contestar a medida.
Empresários argumentam que a cobrança baseada no número de quartos não considera a sazonalidade da ocupação. Assim, estabelecimentos poderiam enfrentar custos fixos maiores mesmo quando parte significativa dos quartos permanece vazia.
Além da preocupação com possíveis aumentos nas contas de água e esgoto, algumas entidades já discutem a adoção de medidas judiciais para questionar o novo modelo de cobrança.
Parlamentares e lideranças regionais também passaram a criticar publicamente a mudança em determinados municípios, ampliando o debate sobre os impactos da política tarifária.
Preocupação com possível efeito ampliado
Especialistas também apontam que a discussão pode extrapolar o setor hoteleiro. “Se a lógica da cobrança por unidade for aplicada de forma ampla, instituições com múltiplos quartos ou leitos, como hospitais e casas de acolhimento, também poderiam entrar no debate regulatório”, avaliam analistas do setor.
Embora, até o momento, a discussão esteja concentrada principalmente nos impactos para hotéis e pousadas, a possibilidade de um alcance maior da regra ampliou a preocupação social em torno do tema.
Debate também ganha dimensão política
A discussão ocorre em um momento de movimentação política no Rio Grande do Sul. O governador Eduardo Leite conduziu durante sua gestão o processo de privatização da Corsan, posteriormente assumida pela Aegea.
O vice-governador Gabriel Souza também aparece em articulações políticas para futuras disputas eleitorais no estado. Nesse cenário, o debate sobre a política tarifária da concessionária passou a integrar discussões públicas em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, com possíveis repercussões no cenário político estadual.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
