A colheita da soja segue avançando em ritmos diferentes nas principais regiões produtoras do Brasil, influenciada por fatores climáticos, desafios operacionais e oscilações pontuais nos preços do mercado físico. De acordo com análise da TF Agroeconômica, muitos produtores têm adotado uma postura cautelosa diante das incertezas sobre a produtividade das lavouras e das dificuldades logísticas registradas em alguns estados.
No Rio Grande do Sul, a colheita ainda é considerada inicial e alcança cerca de 1% da área cultivada, estimada em 6,68 milhões de hectares. Conforme o Informativo Conjuntural da Emater/RS, aproximadamente 65% das lavouras estão na fase de enchimento de grãos e outras 19% já se encontram em maturação.
A estiagem registrada em diversas microrregiões gaúchas reduziu o potencial produtivo das lavouras e levou técnicos e produtores a revisarem as expectativas de rendimento da safra. Diante da incerteza quanto ao volume final da produção, muitos agricultores optam por segurar as vendas, o que mantém o mercado mais lento neste momento.
No interior do estado, a saca da soja é cotada em torno de R$ 117,00 em municípios como Ijuí, Cruz Alta, Passo Fundo e Santa Rosa. Já no porto de Rio Grande, referência para exportação, o valor chega a aproximadamente R$ 129,00 por saca.
Em Santa Catarina, o mercado apresenta comportamento mais estável, impulsionado pela demanda da agroindústria e pela forte integração com a cadeia de proteína animal. A cotação média da soja chega a R$ 121,00 na Copérdia, enquanto em outras regiões os valores variam entre R$ 116,00 e R$ 117,00. O farelo também mantém preços elevados, com o produto a granel sendo negociado a R$ 1,97 por quilo e o ensacado a R$ 2,31, refletindo a forte procura das fábricas de ração. No porto de São Francisco do Sul, a saca é cotada a R$ 128,50.
No Paraná, a colheita já alcançou cerca de 42% da área cultivada. O avanço foi favorecido pelo encurtamento do ciclo das lavouras em algumas regiões, provocado pelas altas temperaturas registradas ao longo do desenvolvimento da cultura. O indicador Cepea/Esalq encerrou o período com preço médio de R$ 121,52 por saca, enquanto no porto de Paranaguá a cotação chegou a R$ 128,66.
Apesar do avanço da colheita paranaense, produtores relatam dificuldades operacionais, como quedas de energia que afetam o funcionamento de secadores de grãos e congestionamentos nas rodovias de acesso aos portos, fatores que também impactam o ritmo de escoamento da safra no estado.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
