Mesmo com a conclusão do inquérito que apura o desaparecimento da família Aguiar, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul ainda não conseguiu esclarecer todos os pontos do caso. Silvana de Aguiar, de 48 anos, e os pais dela, Isail, de 69, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70, não são vistos há mais de 80 dias.
O policial militar Cristiano Domingues Francisco foi indiciado por feminicídio, dois homicídios triplamente qualificados, ocultação de cadáver e outros crimes. O inquérito agora está sob análise do Ministério Público, que decidirá sobre o oferecimento de denúncia.
Apesar do avanço investigativo, os corpos das vítimas ainda não foram localizados, assim como o veículo Volkswagen Fox vermelho que teria sido utilizado no crime. A causa das mortes também permanece indefinida.
Buscas não localizaram vítimas e foram prejudicadas por tempo e estratégia
As buscas ocorreram em diversas regiões do Estado, incluindo Litoral, Serra e Região Metropolitana, com apoio de cães farejadores. O principal foco foi uma área rural em Gravataí, próxima a um sítio ligado à família do suspeito.
De acordo com o delegado Diego Traesel, diretor da Divisão de Inteligência Policial, a atuação dos suspeitos após o crime dificultou o trabalho policial. Segundo ele, houve tempo para organização do pós-crime, o que comprometeu a coleta de provas e a localização das vítimas.
As investigações apontam ainda que o suspeito teria utilizado recursos de inteligência artificial para simular a voz de Silvana e criar uma falsa narrativa de acidente na Serra Gaúcha, desviando o foco das buscas em um momento considerado crucial.
Sem corpos, polícia aponta asfixia como provável causa das mortes
Mesmo sem a localização dos corpos, a polícia considera remota a hipótese de que as vítimas estejam vivas. O caso é tratado como feminicídio e duplo homicídio qualificado.
Segundo o delegado Anderson Spier, não há indícios de uso de arma de fogo ou arma branca. Vestígios de sangue encontrados na residência de Silvana foram confirmados como sendo dela e de seu pai, mas em pequena quantidade.
Diante disso, a principal linha investigativa aponta para mortes por asfixia, possivelmente por esganadura. A ausência de sinais de luta corporal reforça a hipótese de um crime cometido de forma silenciosa.
Carro utilizado no crime segue desaparecido
O Volkswagen Fox vermelho é considerado peça-chave na investigação, tendo sido identificado em imagens de câmeras de segurança nas proximidades das residências. A polícia acredita que o veículo foi utilizado para o transporte e ocultação dos corpos.
No entanto, assim como as vítimas, o carro nunca foi encontrado. A suspeita é de que tenha sido destruído, escondido ou até descartado em local de difícil acesso, como cursos d’água.
Investigação aponta crime planejado e uso de tecnologia
A cronologia levantada pela investigação indica que Silvana teria sido morta entre a noite de 24 e a madrugada de 25 de janeiro, em sua residência em Cachoeirinha. Registros de câmeras e conexões de celulares reforçam a presença do suspeito no local.
A polícia também concluiu que o suspeito utilizou artifícios tecnológicos para atrair os pais da vítima até o local e, posteriormente, até a residência deles, onde também teriam ocorrido os crimes.
Segundo os investigadores, o caso envolveu planejamento prévio, uso de múltiplos aparelhos celulares e estratégias para dificultar a apuração. Ao todo, o inquérito reúne cerca de 20 mil páginas de documentos, incluindo depoimentos, perícias, quebras de sigilo e análises digitais.
A motivação apontada envolve disputa pela guarda do filho do casal e questões financeiras relacionadas ao patrimônio da família.
Defesas alegam inocência e questionam investigação
As defesas dos investigados informaram que aguardam acesso completo ao inquérito e afirmam que irão demonstrar a inocência dos envolvidos ao longo do processo. Também apontam possíveis irregularidades na condução das investigações, que deverão ser analisadas judicialmente.
Mesmo com a conclusão do inquérito, o caso segue cercado de mistérios, especialmente pela ausência dos corpos e de provas conclusivas sobre a dinâmica exata dos crimes.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: G1
