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    Início » Aumento de 5% na velocidade pode elevar em até 20% as mortes no trânsito, aponta Abramet
    Trânsito

    Aumento de 5% na velocidade pode elevar em até 20% as mortes no trânsito, aponta Abramet

    Fernando KopperFernando Kopper9 de março de 202605 Mins Read3

    Um aumento de apenas 5% na velocidade permitida em uma via pode provocar um crescimento de até 20% no número de mortes entre usuários do trânsito. O dado é da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) e integra a nova diretriz intitulada “Tolerância Humana a Impactos: implicações para a segurança viária”, divulgada pela entidade.

    O documento reúne estudos científicos que relacionam velocidade e gravidade dos acidentes, destacando que o corpo humano possui limites físicos para suportar impactos. A divulgação da diretriz ocorre em meio à recente entrada em vigor da Medida Provisória 1.327/2025, que autoriza a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para determinados motoristas, sem a necessidade de exames de aptidão física e mental.

    Segundo a Abramet, a diretriz reforça que decisões administrativas no trânsito precisam considerar os limites biomecânicos do corpo humano, especialmente diante da relação direta entre velocidade e gravidade dos sinistros.

    “A diretriz parte de um princípio central: o corpo humano possui limites biomecânicos inegociáveis e eles devem ser o ponto de partida das políticas públicas de trânsito”, afirmou a entidade em comunicado.

    De acordo com o documento, a energia liberada em um acidente aumenta de forma exponencial conforme a velocidade, ultrapassando rapidamente a capacidade fisiológica do corpo humano de absorver impactos. Esse risco é ainda maior para usuários vulneráveis das vias, como pedestres, ciclistas e motociclistas.

    Para o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior, o estudo mostra que a discussão sobre segurança no trânsito envolve fatores biológicos, e não apenas comportamento ou engenharia viária.

    “A diretriz evidencia que não estamos lidando apenas com comportamento ou engenharia, mas com limites biológicos. Quando esses limites são ignorados, o resultado é o aumento de mortes e sequelas graves, mesmo em velocidades consideradas legais”, avaliou.

    O levantamento aponta ainda que pequenas reduções na velocidade podem gerar quedas expressivas no risco de morte, enquanto aumentos aparentemente modestos podem ampliar significativamente a gravidade dos acidentes.

    Outro fator destacado pela entidade é o crescimento da frota de SUVs e veículos com frente elevada, que, segundo estudos, estão associados a maior risco de lesões fatais em pedestres e ciclistas, mesmo em velocidades moderadas.

    A diretriz também indica que, em colisões envolvendo pessoas fora do veículo, a velocidade responde por cerca de 90% da energia transferida ao corpo da vítima.

    Dados recentes do DataSUS mostram que pedestres, ciclistas e motociclistas representam mais de três quartos das internações hospitalares relacionadas ao trânsito, cenário agravado pela combinação entre alta velocidade, infraestrutura inadequada e baixa proteção física.

    O documento também aborda o papel dos médicos do tráfego, tema que ganhou destaque diante da possibilidade de renovação automática da CNH. A Abramet ressalta que condições de saúde podem reduzir significativamente a tolerância do corpo a impactos.

    Entre os fatores citados estão envelhecimento, doenças neurológicas e cardiovasculares, distúrbios do sono, osteoporose e sequelas de traumatismos, condições que podem comprometer a capacidade de condução e exigir avaliação médica periódica.

    A entidade destaca que a aptidão para dirigir não é permanente, podendo variar conforme a idade, a saúde e o nível de exposição ao risco.

    Além de apresentar os dados científicos, a diretriz traz recomendações para gestores públicos, instituições de ensino e a sociedade, defendendo a adoção de limites de velocidade compatíveis com a tolerância humana e políticas permanentes de gestão da velocidade, além de campanhas educativas.

    “Ao reunir dados epidemiológicos, biomecânicos e clínicos, a Abramet reforça que decisões sobre trânsito não podem se apoiar apenas na fluidez ou na conveniência administrativa”, destacou a associação.

    Renovação automática da CNH

    O programa de renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação, regulamentado pela Medida Provisória 1.327/2025, já beneficiou 323.459 condutores na primeira semana de vigência.

    A medida contempla motoristas cadastrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC) e gerou uma economia estimada de R$ 226 milhões em taxas, exames e custos administrativos.

    A maior parte das renovações automáticas ocorreu entre condutores com CNH categoria B (carros), que representaram 52% dos casos. Motoristas com categoria AB, que permite conduzir carros e motocicletas, corresponderam a 45%, enquanto aqueles com habilitação apenas para motocicletas (categoria A) somaram 3%. O restante envolve condutores profissionais das categorias C e D.

    Para participar do RNPC, o motorista não pode ter cometido infrações de trânsito nos últimos 12 meses e deve realizar o cadastro por meio do aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT) ou no Portal de Serviços da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

    Quem não pode renovar automaticamente

    Alguns grupos de motoristas continuam obrigados a realizar a renovação presencial nos Detrans estaduais. É o caso de condutores com 70 anos ou mais, que precisam renovar a CNH a cada três anos.

    Também ficam fora do processo automático motoristas que tiveram a validade da habilitação reduzida por recomendação médica, em casos de doenças progressivas ou condições que exigem acompanhamento contínuo, além de condutores com o documento vencido há mais de 30 dias.

    Já motoristas com mais de 50 anos, que precisam renovar a habilitação a cada cinco anos, poderão utilizar o processo automático apenas uma vez.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper

    Fernando Kopper

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