O advogado e professor de Direito Conrado Paulino da Rosa, de 41 anos, passará por audiência de custódia nesta terça-feira, em Porto Alegre, após ter a prisão preventiva decretada pela Justiça. Ele está recolhido no Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp) desde a noite anterior, quando foi detido dias após ser denunciado por supostos crimes sexuais. O acusado nega todas as alegações.
De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), ao menos dez mulheres teriam sido vítimas de crimes como estupro, estupro de vulnerável, violência psicológica e cárcere privado. Conforme o órgão, os fatos investigados teriam ocorrido entre os anos de 2013 e 2025.
Conrado Paulino da Rosa já havia sido preso temporariamente em 26 de setembro do ano passado, permanecendo quase um mês na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan 1), até ser solto em 25 de outubro. Desde então, ele cumpria liberdade condicional com uso de tornozeleira eletrônica.
Entre as medidas impostas estavam a proibição de contato com vítimas e testemunhas, restrição para deixar o território de Porto Alegre, impedimento de frequentar instituições de ensino superior, congressos e eventos acadêmicos, além de recolhimento domiciliar entre 20h e 6h.
Um primeiro pedido de prisão preventiva chegou a ser negado em decisão de primeira instância. No entanto, o MPRS recorreu, e a 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça acolheu o recurso, determinando a prisão. A suposta presença do advogado em um evento da área jurídica teria fundamentado o novo pedido.
Após passar por exame no Departamento Médico-Legal (DML), o acusado voltou a negar os crimes. Antes de ser conduzido em viatura da Polícia Civil, afirmou que “justiça será feita”.
Posicionamento da defesa
A defesa técnica de Conrado Paulino da Rosa, formada pelas advogadas Fernanda Osório e Neida Floriano e pelos advogados Rodrigo Grecellé Vares, Ezequiel Vetoretti, Daniel Achutti, Fernando Nerung e Eduardo Vetoretti, divulgou nota pública contestando a decisão judicial.
Segundo os defensores, a prisão preventiva foi decretada com base em “suposições, descontextualizações e erros de ordem fática”. A defesa sustenta que o pedido da autoridade policial foi apresentado há três meses e estaria fundamentado em argumentos já rejeitados anteriormente pela Justiça ao analisar outros três pedidos de prisão.
A banca afirma ainda ter protocolado recentemente documentação que, segundo os advogados, refutaria os fatos descritos na denúncia e apontaria possíveis ilegalidades na condução da investigação, incluindo indícios de parcialidade de autoridades envolvidas.
Os defensores informaram que já adotaram medidas judiciais para buscar a revogação da prisão cautelar e declararam confiança de que a decisão será revista, com o restabelecimento da liberdade do acusado.
O caso segue sob análise do Poder Judiciário.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
