Uma advogada foi presa preventivamente na última sexta-feira, 4 de setembro, em Ijuí, no Noroeste do Rio Grande do Sul, durante um desdobramento da investigação sobre cárcere privado, exploração sexual e trabalho análogo à escravidão envolvendo jovens no município.
Segundo a Polícia Civil, a mulher atuava na defesa de integrantes do grupo criminoso investigado. Ela teria assumido, perante o Ministério Público, o compromisso de garantir a libertação e o retorno seguro das vítimas para suas famílias. O acordo, no entanto, não teria sido cumprido.
As investigações apontam que as mulheres teriam sido levadas para outro estabelecimento de prostituição, localizado em Planalto, no Norte do Estado. Dias após o fechamento da casa em Ijuí, a Polícia Civil realizou uma operação no local e encontrou oito mulheres, que foram resgatadas.
Uma das vítimas relatou aos investigadores ter sido ameaçada de morte pela advogada durante o deslocamento. Conforme o depoimento, a suspeita teria afirmado que mataria a mulher caso ela voltasse a procurar as autoridades. A ameaça foi utilizada como fundamento para o pedido de prisão preventiva.
A suspeita é de que o estabelecimento em Planalto fosse comandado pelo mesmo grupo criminoso investigado em Ijuí. A organização seria liderada por um homem que está recolhido na Penitenciária Modulada do município.
Além da advogada, outras duas pessoas foram presas preventivamente nos dias seguintes à operação. Uma mulher que trabalhava no estabelecimento e um homem apontado como gerente do grupo criminoso também foram detidos.
O caso teve início com a Operação Momentum Libertatis, deflagrada nos dias 20 e 21 de agosto e coordenada pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM). Na ocasião, três jovens foram resgatadas, entre elas uma mulher de 25 anos que estava grávida. Um homem responsável pela segurança do estabelecimento foi preso em flagrante.
De acordo com a investigação, o local era controlado por uma facção criminosa e as vítimas seriam submetidas a um sistema de dívidas impagáveis utilizado para restringir a liberdade delas.
A OAB/RS informou que tomou conhecimento do caso na manhã desta terça-feira, 8 de setembro. A entidade afirmou que requereu acesso aos autos do inquérito para analisar os fatos apurados e adotar as providências institucionais cabíveis.
As investigações continuam.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: G1 – RS
