Segundo Raquel, em nenhum momento os policiais informaram que estavam no local para cumprir uma ordem judicial ou realizar uma operação oficial. Ela afirma que apenas percebeu que eram policiais após observar os uniformes utilizados pelos agentes. “A gente achou que era bandido, a gente jamais imaginou que era polícia. Abriram meu roupão, debocharam de mim, mandaram eu me ajoelhar em cima do lugar que estava cheio de caco de vidro. Foi uma brutalidade. O tempo inteiro eu achei que eram bandidos”, relatou.
A viúva contou ainda que evitou contato visual durante a abordagem e que, mesmo após o casal se identificar, os policiais não teriam acreditado nas informações repassadas. Conforme o relato, os agentes chegaram a perguntar o nome dos moradores e demonstraram desconfiança diante das respostas.
Abalada, Raquel disse não conseguir compreender a forma como a ação foi conduzida. “Não consigo entender que a polícia faça uma ação dessas e trate pessoas do bem como criminosas. É uma dor que tu não tem noção. Eu tô devastada, eu não tô acreditando ainda”, desabafou.
Marcos Nornberg havia se mudado para Pelotas em busca de tranquilidade, após ter morado em Caxias do Sul. De acordo com a companheira, ele assumiu a responsabilidade pela produção da família depois que o pai perdeu um dos braços em decorrência de um câncer. A família trabalhava com o cultivo de morango e milho doce, produtos que eram comercializados em feiras da região.
O caso ocorreu na madrugada desta quinta-feira (15), na propriedade localizada na Estrada da Cascata, no interior de Pelotas. Conforme a viúva, o casal dormia quando percebeu movimentação no pátio. Marcos saiu para verificar o que estava acontecendo e, logo depois, ela ouviu gritos e disparos. O produtor rural morreu no local.
A Polícia Civil confirmou que se tratava de uma ação da Brigada Militar, realizada durante buscas por uma quadrilha que estaria atuando na região. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Pelotas, que apura as circunstâncias da morte e a conduta dos policiais envolvidos.
Diante da repercussão, o governador Eduardo Leite afirmou que determinou “rigorosa apuração” sobre a atuação da Brigada Militar. Segundo ele, é fundamental que a Corregedoria tenha autonomia e força para investigar o caso. “O importante é que haja sempre uma Corregedoria com força para fazer a investigação. Ainda merece abertura de processos internos para apurar em que condições essa atuação se deu”, declarou.
O governador também ressaltou que os integrantes da corporação são seres humanos e que, embora busquem acertar, podem cometer falhas. “São homens e mulheres, são seres humanos que buscam sempre acertar. Nem sempre, eventualmente, acertam, mas na maior parte das vezes acertam e têm todo o nosso crédito”, concluiu.
