O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) tornou réus três acusados de envolvimento em golpes aplicados contra jogadores do Grêmio. A denúncia foi recebida na noite de terça-feira (29) pelo juiz Paulo Augusto Oliveira Irion, da 13ª Vara Criminal do Foro Central da Comarca de Porto Alegre. Os crimes teriam ocorrido em maio deste ano, em Porto Alegre e Itaperuna, no Rio de Janeiro.
Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), um dos acusados criava perfis falsos em aplicativos de mensagens e utilizava a identidade de pessoas conhecidas do futebol para entrar em contato com atletas. Entre os nomes utilizados estaria o do técnico Luís Castro, que comandava o Grêmio na época. Após estabelecer contato e conquistar a confiança das vítimas, o suspeito fazia pedidos de dinheiro.
O homem foi preso preventivamente em 2 de setembro, no Rio de Janeiro. Ele responde pelos crimes de fraude eletrônica e associação criminosa. As duas mulheres que também se tornaram rés são acusadas de ceder contas bancárias para a movimentação dos valores obtidos nos golpes e de participação na associação criminosa.
A investigação apontou que quatro jogadores vinculados ao Grêmio foram abordados. Em um dos casos, o suspeito manteve contato durante vários dias com o atacante colombiano José Enamorado, conversando sobre assuntos relacionados à rotina, família e desempenho nos treinamentos.
Depois de estabelecer uma relação de confiança com o jogador, o criminoso teria apresentado uma suposta campanha para arrecadação de dinheiro destinada à compra de cestas básicas. Convencido pelo pedido, o atleta realizou uma transferência de mais de R$ 22 mil.
Posteriormente, uma nova transferência, no valor de R$ 50 mil, teria sido solicitada. O pagamento, porém, não foi realizado porque a quantia ultrapassava o limite bancário disponível para a vítima. Outros dois jogadores abordados também não chegaram a transferir dinheiro.
Na decisão que recebeu a denúncia, o juiz considerou que existem elementos que demonstram a materialidade dos crimes e indícios de autoria. Entre os elementos reunidos na investigação está um comprovante de transferência bancária realizada por meio do Pix.
Com o recebimento da denúncia, os três acusados deverão ser citados para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias. Na sequência, o processo entrará na fase de instrução, etapa em que serão analisadas as provas e ouvidas as partes envolvidas.
A investigação foi realizada pelas Polícias Civis do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro por meio da Operação Falso 9. Conforme a apuração, o principal suspeito já havia sido preso em flagrante em 2024 por um crime semelhante e mantinha contatos com outros jogadores de futebol ligados a clubes brasileiros, além de um atleta de uma equipe europeia e de um artista conhecido nacionalmente.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
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