Dados do Observatório da Violência contra a Mulher, vinculado à Secretaria de Segurança Pública do RS e compilados pela Frente Parlamentar de Homens pelo Fim da Violência contra a Mulher da Assembleia Legislativa, mostram que entre 2012 e 2025 foram registrados 1.284 feminicídios no território gaúcho. O número representa, em média, o assassinato de uma mulher a cada quatro dias.
No mesmo período, o Estado contabilizou 27.426 registros de estupro, o equivalente a mais de cinco casos por dia, ou ainda uma mulher violentada sexualmente a cada quatro horas e meia.
A dimensão da violência, porém, é ainda maior quando considerados outros crimes. Somando tentativas de feminicídio, ameaças, agressões e lesões corporais, as delegacias gaúchas registraram aproximadamente 854 mil ocorrências de violência contra a mulher nos últimos 13 anos, evidenciando um problema estrutural e persistente.
O levantamento aponta que 2018 foi o ano mais letal para mulheres no Estado, com 116 feminicídios registrados. Já 2023 concentrou o maior número de estupros da série histórica, somando 2.815 ocorrências. Criado em 2012, o Observatório também reúne dados sobre milhares de tentativas de feminicídio e outros crimes, demonstrando que a violência se mantém ao longo do tempo sem redução consistente.
No campo das políticas públicas, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) foi criada em 2011, extinta em 2015 e recriada apenas em 2025. O período sem a estrutura estadual dedicada ao tema é apontado por especialistas e entidades como uma lacuna na coordenação das ações de prevenção e fortalecimento da rede de proteção às vítimas.
Desde 2011, a Assembleia Legislativa mantém ativa a Frente Parlamentar de Homens pelo Fim da Violência contra a Mulher, atualmente coordenada pelo deputado estadual Adão Pretto Filho (PT). A iniciativa atua principalmente na conscientização masculina por meio de campanhas públicas, ações educativas e atividades realizadas em escolas, comunidades, estádios de futebol e espaços públicos.
Em entrevista à Rádio Uirapuru, o parlamentar classificou os números como uma verdadeira epidemia. Segundo ele, o enfrentamento exige investimentos contínuos em prevenção e educação. O deputado destaca ainda que a maioria dos crimes é cometida por homens próximos às vítimas, como maridos, ex-companheiros ou familiares, o que reforça a necessidade de mudanças culturais e comportamentais.
Conforme Adão Pretto Filho, é fundamental ampliar o diálogo com os homens para enfrentar o problema. Ele defende que é preciso superar padrões machistas ainda presentes na sociedade e reforçar que mulheres têm direito de viver com liberdade e segurança.
Entre as iniciativas em andamento, o deputado é autor de projeto que propõe incluir conteúdos sobre a Lei Maria da Penha nos currículos da rede pública, buscando trabalhar a prevenção desde a infância e adolescência. Também vêm sendo adotadas medidas como uso de tornozeleiras eletrônicas para agressores, aplicação da Lei da Máscara Roxa e campanhas de conscientização em estádios de futebol.
Apesar das ações em curso, os números indicam que o combate à violência contra a mulher no Rio Grande do Sul ainda exige políticas públicas permanentes e integradas, além de uma profunda transformação cultural capaz de romper ciclos históricos de violência de gênero.
