O relatório paralelo que será apresentado pelo governo federal nesta sexta-feira (27) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS deve indiciar cerca de 170 pessoas e atribuir à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro responsabilidades por falhas sistêmicas de controle e omissão na contenção de fraudes envolvendo descontos associativos em aposentadorias.
O documento, alinhado à base governista, reúne argumentos apresentados ao longo das investigações para afastar a crise do Instituto Nacional do Seguro Social da atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o texto, o aumento na arrecadação de entidades suspeitas em 2023 e 2024 teria origem em acordos de cooperação técnica firmados ainda durante o governo anterior.
De acordo com o sumário do relatório, atos normativos da gestão Bolsonaro teriam alterado regras de controle, removendo barreiras e criando um ambiente favorável à expansão do esquema fraudulento. A estratégia do grupo governista é aprovar esse parecer como relatório final da CPMI, em contraposição ao documento elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), que representa a oposição.
O parecer de Gaspar, com mais de 5 mil páginas, deve indicar mais de 200 pessoas e pode incluir nomes ligados ao atual governo. O parlamentar afirmou que avalia a inclusão de Fábio Luís Lula da Silva entre os investigados. A sessão desta sexta-feira deve ser marcada por forte disputa entre os dois relatórios.
O documento alternativo apresentado pelo governo divide o suposto esquema criminoso em oito núcleos, já sob investigação da Polícia Federal, todos ligados a uma estrutura central coordenada por Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como principal operador.
Entre os grupos identificados estão o núcleo da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer), liderado por Carlos Roberto Ferreira Lopes, e o da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), comandado por Abraão Lincoln Ferreira da Cruz. Também são citados núcleos empresariais e operacionais, como o liderado por Maurício Camisotti, além do grupo conhecido como “Golden Boys”, formado por Américo Monte Jr, Anderson Cordeiro, Felipe Macedo Gomes e Igor Delecrode.
Outros núcleos incluem o comandado por Cecília Rodrigues Mota, com atuação em Fortaleza; o de Alexsandro Prado, o “Lequinho”, em Sergipe; e o de Domingos Sávio de Castro, com atuação em Minas Gerais e Brasília, apontado como operador financeiro do esquema.
Segundo o relatório, o núcleo central, liderado pelo chamado “Careca do INSS”, seria responsável por articular os diferentes grupos, controlar os fluxos financeiros e manter ligação com servidores públicos e operadores externos.
A votação do parecer final da CPMI deve ocorrer em meio a embates políticos, com governistas e oposição tentando consolidar versões divergentes sobre as responsabilidades pelas fraudes investigadas.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
