As fortes chuvas que atingem o Rio Grande do Sul desde a última quinta-feira (16) já causaram danos em 169 municípios e deixaram mais de mil pessoas fora de casa, conforme o boletim mais recente da Defesa Civil Estadual. Ao todo, 1.099 pessoas precisaram deixar suas residências, sendo 728 acolhidas em abrigos e outras 371 desalojadas, hospedadas em casas de familiares ou amigos.
O Vale do Taquari concentra a maior parte dos atingidos. Somente em Lajeado, 373 pessoas estão em abrigos. Também há registros de desabrigados em Cruzeiro do Sul, Muçum, Estrela, Encantado, Santa Cruz do Sul e Arroio do Meio.
A situação segue preocupante devido à elevação dos principais rios do Estado. Quatro permanecem acima da cota de inundação. O Rio Taquari continua transbordando em Arroio do Meio, Montenegro e Lajeado. O Rio Jacuí atingiu a cota de inundação em São Jerônimo e segue em elevação em direção a Triunfo. Já o Rio Caí ultrapassou a marca de inundação em São Sebastião do Caí, enquanto o Rio Uruguai, em Iraí, permanece em 11,61 metros, muito acima da cota de inundação, que é de 8 metros.
Na bacia do Taquari, os níveis registrados na quarta-feira ultrapassaram as cotas de inundação em diversos municípios. Em Estrela, o rio atingiu 24,3 metros. Em Muçum, chegou a 18,3 metros; em Encantado, 16,5 metros; em Santa Tereza, 15,8 metros; em Bom Retiro do Sul, 18,1 metros; e em Porto Mariante, 14 metros.
Em Arroio do Meio, um dos municípios mais atingidos, o Rio Taquari chegou a 19 metros durante a tarde de quarta-feira, recuando para 18,4 metros no início da noite. A Defesa Civil alerta que a tendência ainda é de elevação em alguns trechos da bacia nos próximos dias.
A prefeita de Lajeado, Gláucia Schumacher, criticou a demora na emissão dos alertas para a região. Segundo ela, o município recebeu o aviso de risco apenas durante a madrugada, quando o rio já estava próximo da cota de inundação. A administração municipal defende que as informações sejam disponibilizadas com maior antecedência para permitir o planejamento das ações de evacuação e acolhimento da população.
Em Porto Alegre, a atenção se volta para o Guaíba, que já começou a receber a água proveniente das bacias superiores. O nível do lago está em 1,90 metro, mas a previsão indica que poderá atingir a cota de alerta, de 2,60 metros, entre sexta-feira e sábado. A cota de inundação é de 3 metros.
O maior risco na Capital está concentrado na região das ilhas, especialmente na Ilha da Pintada, onde a cota de inundação é de apenas 2,20 metros. A Prefeitura de Porto Alegre informou que dois abrigos já estão preparados para receber moradores caso seja necessária a retirada preventiva de famílias. Em Eldorado do Sul, a Defesa Civil também iniciou o plano de contingência para bairros ribeirinhos.
Especialistas alertam que, mesmo sem previsão de uma enchente semelhante à de maio de 2024, o cenário exige monitoramento constante. O solo permanece encharcado e novas chuvas nas próximas semanas poderão provocar novos episódios de alagamentos e elevação dos rios.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
