Após um longo período em que o preço pago pelo leite mal cobria os custos de produção, os produtores do Rio Grande do Sul voltaram a registrar margem positiva na atividade. Apesar da melhora em relação aos últimos anos, representantes do setor afirmam que a remuneração ainda está abaixo do necessário para assegurar a sustentabilidade das propriedades e incentivar novos investimentos.
O cenário é refletido nos indicadores do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS), que projetou para junho um valor de referência de R$ 2,4281 por litro. O índice serve como base para as negociações entre produtores e indústrias, embora os valores efetivamente pagos variem conforme a qualidade do leite, o volume entregue e as bonificações oferecidas pelos laticínios.
De acordo com o presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, a remuneração atual tem permitido a recuperação parcial da rentabilidade perdida ao longo dos últimos anos.
Segundo ele, a maioria dos produtores recebe entre R$ 2,50 e R$ 2,70 por litro, enquanto o custo de produção gira entre R$ 2,20 e R$ 2,30 por litro. Com isso, a atividade voltou a apresentar uma pequena margem de lucro, após um longo período de dificuldades financeiras.
Mesmo com a recuperação, Tang avalia que o preço ideal para garantir maior segurança ao produtor estaria próximo de R$ 2,80 por litro. Na visão da entidade, esse patamar permitiria manter a viabilidade econômica da produção sem comprometer o consumo.
O dirigente também destaca que o diálogo entre produtores e indústrias evoluiu nos últimos anos por meio das reuniões do Conseleite, que possibilitam discutir a formação dos preços de referência. No entanto, ele defende que o varejo também passe a integrar essas discussões.
Segundo Tang, a participação do comércio varejista contribuiria para reduzir os impactos das oscilações do mercado sobre os produtores, promovendo uma distribuição mais equilibrada dos efeitos das crises ao longo de toda a cadeia produtiva.
Para a Gadolando, o fortalecimento da cadeia leiteira depende da participação conjunta de produtores, indústrias e varejo, compartilhando responsabilidades tanto nos períodos de valorização quanto nos momentos de retração do mercado. A expectativa é de que esse modelo proporcione maior estabilidade para o setor e contribua para a continuidade da atividade no Estado.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
