O mercado do boi gordo no Rio Grande do Sul apresentou valorização apenas na categoria de vaca gorda a peso vivo na última semana, enquanto as demais categorias mantiveram estabilidade. Na semana anterior, o movimento de alta havia sido observado na vaca comercializada a rendimento de carcaça.
Os dados fazem parte da Análise Semanal de Preços do Gado Gordo e de Reposição, divulgada pelo Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (NESPro), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
De acordo com o levantamento, o cenário segue marcado por uma maior oferta de carne no mercado interno. Isso ocorre principalmente pela entrada, no Rio Grande do Sul, de carne proveniente do Brasil Central, enquanto o consumo permanece estável.
Segundo o NESPro, a carne oriunda de fêmeas enfrenta maior concorrência neste contexto, o que aumenta a disputa por mercado e limita reajustes mais amplos nas cotações.
No mercado externo, também há sinais de instabilidade que ainda não impactaram diretamente os preços no estado, mas que podem influenciar o comportamento do mercado nas próximas semanas.
No segmento de reposição, o mercado voltou a apresentar médias negativas na maioria das categorias. O movimento está associado ao menor dinamismo observado no mercado do gado gordo e à redução nas exportações de gado vivo nos últimos dias, fatores que contribuíram para um ambiente de negociações mais cauteloso.
Apesar desse cenário interno mais contido, o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina segue em forte crescimento. Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que fevereiro registrou recorde de embarques de carne bovina in natura.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mesmo com apenas 18 dias úteis, foram exportadas 235,889 mil toneladas do produto, um aumento de 23,9% em relação a fevereiro de 2025, quando haviam sido embarcadas 190,457 mil toneladas em 22 dias úteis.
A média diária de exportações alcançou 13,105 mil toneladas, volume 37,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O preço médio da carne exportada ficou em US$ 5.640,85 por tonelada, resultando em uma receita de aproximadamente US$ 1,33 bilhão para o país.
Nos dois primeiros meses de 2026, o Brasil já acumula 467,711 mil toneladas exportadas de carne bovina in natura. No mesmo período de 2025, haviam sido embarcadas 370,931 mil toneladas, o que representa um crescimento de 26,1%.
No Rio Grande do Sul, as variações registradas nas categorias analisadas foram as seguintes: vaca gorda a peso vivo com alta de 0,1%, enquanto as demais apresentaram queda, terneira (-7,7%), novilha (-1,5%), terneiro (-3,2%) e novilho (-6,7%).
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
