A Polícia Civil indiciou por maus-tratos a mulher investigada pela morte do cachorro Branquinho, atacado com golpes de picareta em Porto Alegre. A informação foi confirmada pelo delegado César Carrion, titular da 15ª Delegacia de Polícia da Capital, durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (20).
A investigada, identificada como Casia de Souza Zatti, de 32 anos, está presa preventivamente desde o último dia 13 de maio. O então companheiro dela, que não teve o nome divulgado, também foi indiciado por maus-tratos. Conforme a Polícia Civil, ele teve participação direta nos crimes contra os animais.
Segundo o delegado, o homem determinava que os cães que atacassem galinhas criadas pelo casal fossem mortos.
— O marido ordena que ela mate os animais que atacam as galinhas que eles criavam. Entendemos que nosso trabalho está concluído e bem feito, e tanto ela quanto o marido serão indiciados por maus-tratos — afirmou Carrion.
A investigação aponta que, além da morte do cão Branquinho com golpes de picareta, outros animais teriam sido mortos por enforcamento. Conforme a polícia, o ex-companheiro também utilizava armas de chumbinho contra alguns animais.
De acordo com a Polícia Civil, o casal mantinha galinhas soltas na propriedade e, quando os cães atacavam as aves, os animais eram mortos.
O caso veio à tona após imagens mostrarem o momento em que Branquinho foi agredido na cabeça com golpes de picareta. O crime ocorreu em novembro de 2025, no bairro Aparício Borges, na zona leste de Porto Alegre, mas as gravações só chegaram às autoridades recentemente.
As imagens foram enviadas ao Ministério Público Ambiental e posteriormente encaminhadas ao Gabinete da Causa Animal e à Polícia Civil. Conforme o delegado, as câmeras haviam sido instaladas pelo então companheiro da investigada.
Durante cumprimento de mandado de busca e apreensão na residência da suspeita, em 4 de maio, policiais encontraram 35 animais em situação de maus-tratos, entre cães, cavalos, galinhas e um gato.
Segundo laudos veterinários, os animais estavam sem água potável, alimentação adequada e em ambiente insalubre. Parte deles apresentava desnutrição severa e sinais evidentes de sofrimento.
Casia chegou a ser presa em flagrante no dia 4 de maio, mas foi solta após audiência de custódia no dia seguinte. Posteriormente, o Ministério Público recorreu da decisão, apresentando novos elementos à Justiça, que decretou a prisão preventiva da investigada.
Na decisão, a juíza Vanessa Assis Baruffi afirmou que os fatos investigados demonstram um “padrão comportamental de violência e negligência sistemática e prolongada” contra os animais.
A defesa de Casia de Souza Zatti ainda não havia se manifestado até a última atualização do caso.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: GZH – Zero Hora
