A Polícia Federal concluiu o inquérito que investigou a morte do delegado federal Michel Brasil Saliba, atingido durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em Passo Fundo, no Norte do Rio Grande do Sul, em 2 de julho. Segundo a investigação, os disparos partiram da arma utilizada pelo policial militar investigado, que estava afastado das funções na ocasião.
Ao final das diligências, a PF concluiu pela prática de homicídio doloso qualificado contra Saliba e de três tentativas de homicídio doloso qualificado contra os demais policiais que integravam a equipe. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público Federal e ao Poder Judiciário.
A investigação reuniu exames periciais realizados no local, análises balísticas e de DNA, estudos de microvestígios, dados extraídos de dispositivos eletrônicos, imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas. Conforme a PF, os exames balísticos e outros elementos técnico-científicos apontaram que os disparos que atingiram fatalmente Saliba partiram da arma utilizada pelo investigado.
Segundo o superintendente da Polícia Federal, delegado Alessandro Maciel Lopes, os exames de DNA também contribuíram para comprovar a origem da arma e do projétil que matou o delegado. Ele afirmou que o inquérito concluiu pela ocorrência de homicídio doloso contra Saliba e tentativa de homicídio contra outros três policiais que participavam da ação.
Um dos principais pontos da investigação foi determinar se o homem que efetuou os disparos sabia que estava diante de policiais federais. Conforme a PF, a reconstrução dos fatos, depoimentos, fotografias, vídeos e demais elementos reunidos indicaram que a equipe estava identificada e uniformizada e anunciou a condição antes e durante a entrada no imóvel.
Ainda segundo a investigação, os policiais utilizavam coletes balísticos, o local estava iluminado e a voz de comando informando que se tratava de uma ação da Polícia Federal foi ouvida por vizinhos. Com base nesses elementos, a PF afirmou ter descartado a hipótese de que o investigado tenha confundido os policiais com outras pessoas.
Conforme Lopes, foram efetuados oito disparos durante a ocorrência. Dois atingiram Saliba, sendo que um deles provocou a morte do delegado. Os demais tiros foram direcionados aos policiais que cumpriam o mandado.
A PF informou que o investigado é policial militar e instrutor de tiro. Na época da operação, ele estava afastado das funções por interesse particular e não exercia atividade policial.
Segundo a investigação, durante a entrada dos agentes, o casal se dirigiu para um quarto. Os elementos reunidos no inquérito indicam que o policial militar teria utilizado a mulher como escudo antes de efetuar os disparos contra a equipe. A PF aponta que os tiros foram realizados após o anúncio da presença dos policiais e quando o imóvel já estava iluminado.
Para a investigação, a sequência dos disparos e as circunstâncias em que ocorreram indicam que o investigado tinha conhecimento do potencial resultado de sua conduta e agiu com a intenção de atingir os policiais e interromper a operação.
A operação em Passo Fundo fazia parte de uma investigação conduzida por uma unidade especializada da Polícia Federal em crimes financeiros e lavagem de dinheiro. O caso envolvia suspeitas de contrabando e descaminho e de lavagem dos valores obtidos com esses crimes.
O mandado de busca e apreensão era cumprido no imóvel de uma mulher investigada por envolvimento com uma organização criminosa. O objetivo era obter novos elementos relacionados à atuação dela. Segundo a PF, também havia um policial militar afastado no imóvel, e a investigação concluiu que ele tinha conhecimento de que se tratava de uma ação da Polícia Federal e efetuou os disparos contra os agentes.
A PF informou ainda que elementos reunidos no inquérito apontaram envolvimento do policial militar nos crimes de contrabando e descaminho que eram investigados na operação. As provas deverão ser compartilhadas com a Brigada Militar para eventual apuração administrativa relacionada à conduta do policial militar.
A defesa do policial militar foi procurada, mas ainda não se manifestou sobre o indiciamento. O espaço permanece aberto para contraponto.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
