A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Polícia de Esteio, deflagrou na manhã desta quarta-feira a Operação Encontro Desmarcado, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso responsável pela prática reiterada de extorsões em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. As ações criminosas envolviam exigências financeiras que rapidamente evoluíam para ameaças graves, incluindo incêndio de residências e até homicídio.
Ao todo, foram cumpridas 33 ordens judiciais, sendo 14 mandados de prisão preventiva e 19 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram em 13 municípios do litoral gaúcho — Tapes, Osório, Tramandaí, Cidreira, Terra de Areia, Capão da Canoa e Xangri-Lá — além de seis cidades da Região Metropolitana, entre elas Gravataí, São Leopoldo e Sapucaia do Sul. A Justiça também determinou o bloqueio de valores em contas bancárias de 14 investigados.
A operação mobilizou cerca de 90 policiais civis e resultou na prisão de 14 pessoas. Durante as ações, foram apreendidos diversos aparelhos celulares e um roteador dentro da Penitenciária de Osório, indicando que parte das extorsões era articulada mesmo a partir do sistema prisional.
As investigações apontam para uma modalidade de golpe que vem sendo aplicada de forma recorrente no Estado. No caso que originou a operação, a vítima teria agendado um encontro com uma garota de programa, ao qual não compareceu. A partir disso, passou a receber ligações de um indivíduo que se apresentava como integrante de um grupo criminoso, exigindo pagamentos sob o argumento de ressarcimento por supostos prejuízos.
Com o passar do tempo, as cobranças se tornaram mais agressivas, acompanhadas de ameaças graves contra a vítima e sua família, o que gerou intenso temor. Nesse episódio específico, o prejuízo financeiro chegou a aproximadamente R$ 3.500,00.
A Polícia Civil também apurou que, no mesmo mês, um dos investigados aplicou golpe semelhante na Região Metropolitana de Porto Alegre, obtendo cerca de R$ 50 mil. Um dos elementos que reforçou o vínculo entre os casos foi a utilização do mesmo número telefônico para a prática criminosa.
Outro ponto destacado pela investigação é que ao menos 12 alvos da operação possuem antecedentes criminais graves, incluindo registros por crimes contra o patrimônio, delitos cometidos mediante grave ameaça e crimes contra a vida. Em alguns casos, há múltiplas passagens policiais, evidenciando reiteração delitiva e habitualidade criminosa. Esses fatores foram considerados pelo Poder Judiciário no deferimento das medidas cautelares solicitadas pela Polícia Civil.
A Operação Encontro Desmarcado busca interromper a atuação do grupo criminoso, frear a prática sistemática de extorsões e garantir a responsabilização penal dos envolvidos, reforçando o compromisso da Polícia Civil com o combate qualificado aos crimes praticados com violência e grave ameaça no Rio Grande do Sul.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
