O fenômeno climático El Niño, responsável por impulsionar as temperaturas globais a níveis recordes em 2024, pode voltar a ocorrer em meados de 2026. O alerta foi divulgado nesta sexta-feira pela Organização das Nações Unidas, por meio da Organização Meteorológica Mundial.
Segundo a OMM, há alta probabilidade de que as condições de El Niño se desenvolvam entre os meses de maio e julho de 2026. Os primeiros indicativos apontam, inclusive, para a possibilidade de um episódio de forte intensidade, o que pode provocar impactos significativos nos padrões climáticos globais.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial central e oriental, alterando padrões de vento, pressão atmosférica e regimes de chuva em diversas partes do mundo. O fenômeno ocorre em alternância com o La Niña, com períodos neutros entre eles.
De acordo com os dados mais recentes, o último episódio de El Niño contribuiu para que 2023 fosse o segundo ano mais quente já registrado no planeta, enquanto 2024 atingiu o recorde absoluto de temperatura global. Modelos climáticos indicam que o próximo evento pode ganhar força ao longo dos meses seguintes ao seu início e, segundo projeções, há possibilidade de ser um dos mais intensos dos últimos 140 anos.
O diretor de previsão climática da OMM, Wilfran Moufouma Okia, afirmou que os modelos apontam com elevado nível de confiança para o retorno do fenômeno. Ele ressalta, no entanto, que ainda há incertezas devido à chamada “barreira de previsibilidade da primavera” no hemisfério norte, período em que as projeções climáticas tendem a ter menor precisão.
Mesmo assim, os dados atuais reforçam a tendência de aquecimento dos oceanos, que já registraram temperaturas próximas a recordes no mês de março, sinalizando condições favoráveis para a formação de um novo episódio de El Niño. O fenômeno costuma ocorrer em intervalos de dois a sete anos e pode durar entre nove e 12 meses.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
