A previsão de um novo episódio do fenômeno El Niño para o segundo semestre de 2026 reacendeu o alerta em todo o Brasil, especialmente na Região Sul. De acordo com boletim divulgado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), a transição deve ocorrer de forma rápida e com intensidade ao menos moderada, provocando aumento generalizado das temperaturas no país.
No Rio Grande do Sul, no entanto, a preocupação vai além do calor. Especialistas apontam risco de repetição de eventos extremos, como as enchentes históricas registradas em 2024. Segundo o meteorologista Cesar Soares, da Climatempo, os modelos climáticos indicam um cenário semelhante ao período que antecedeu a tragédia.
“Existe, sim, uma possibilidade real de termos novamente chuva excessiva no Sul do Brasil, que pode trazer problemas para a população”, afirmou.
Já o meteorologista Marcelo Seluchi, chefe de operações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), pondera que a previsão ainda é inicial, mas reforça a tendência de maior volume de chuvas na região.
“Deve chover mais no Sul e menos no Norte, como em todo El Niño. Isso não significa a repetição de eventos como o do Rio Grande do Sul, mas o risco existe”, destacou.
Em maio de 2024, o Estado foi atingido por chuvas intensas e persistentes provocadas pela combinação de uma área de baixa pressão com a chegada de uma frente fria, conforme análise da Organização das Nações Unidas (ONU). Os volumes registrados foram excepcionais, com cidades como Santa Maria ultrapassando 200 milímetros em apenas um dia, enquanto Caxias do Sul acumulou mais de 800 mm ao longo do mês — muito acima da média histórica.
Os impactos foram severos, com prejuízos estimados em cerca de R$ 3,7 bilhões na agricultura gaúcha, segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM).
A expectativa dos especialistas é que o fenômeno comece a se configurar ainda no outono e ganhe força ao longo do segundo semestre, intensificando padrões já conhecidos: temperaturas acima da média e aumento das chuvas no Sul.
Esse cenário favorece a formação de frentes frias e corredores de umidade sobre o Rio Grande do Sul, criando condições para episódios de chuva volumosa e persistente. Diante disso, o Estado deve voltar ao centro das atenções dos sistemas de monitoramento climático nos próximos meses.
Apesar das semelhanças com 2024, os meteorologistas reforçam que não é possível afirmar a repetição de uma tragédia na mesma escala. O comportamento das chuvas depende de fatores de curto prazo e exige acompanhamento constante.
Enquanto o Sul pode enfrentar excesso de precipitação, outras regiões do país devem registrar efeitos opostos. O fenômeno tende a provocar seca e calor no Centro-Oeste e Sudeste, elevando o risco de queimadas e impactando a qualidade do ar em áreas urbanas.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: O Globo
