A nova administração do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense afirma ter quitado cerca de R$ 100 milhões em dívidas atrasadas nos primeiros três meses de gestão. Os pagamentos incluem compromissos diversos acumulados pela administração anterior, entre eles valores com fornecedores e despesas operacionais do clube.
Entre os débitos quitados estaria uma dívida de aproximadamente R$ 600 mil com um fornecedor de alimentos, além de outras pendências financeiras. Um dirigente ligado à gestão passada reconheceu que o clube deixou compromissos a serem pagos, mas rebateu as críticas afirmando que também foram entregues ativos importantes para a nova direção.
Segundo ele, ao final da gestão anterior, em dezembro de 2025, a diretoria optou por não concretizar algumas negociações, deixando alternativas financeiras para quem assumiria o comando do clube. Entre elas, a possível venda de atletas como Alysson, além de acordos comerciais e negociações de patrocínio.
A venda do jogador Alysson ao Aston Villa, por exemplo, teria rendido cerca de 10 milhões de euros ao Grêmio. Outro contrato citado foi o acordo com a empresa responsável pela venda de ingressos, que teria gerado cerca de R$ 45 milhões em luvas.
Ainda segundo dirigentes, o clube busca um novo patrocinador máster, possivelmente uma empresa do setor de apostas, com expectativa de arrecadar entre R$ 30 milhões e R$ 50 milhões por ano.
Também foi revelado que os 10 milhões de euros (aproximadamente R$ 61 milhões) doados pelo empresário Marcelo Marques durante a gestão do presidente Alberto Guerra, inicialmente destinados à contratação de um jogador, especulado como Róger Guedes, acabaram sendo utilizados para quitar dívidas urgentes do clube.
De acordo com relatos internos, logo ao assumir a presidência, Guerra precisou recorrer a empréstimos bancários para equilibrar as finanças. Inicialmente foram captados cerca de R$ 50 milhões para pagamento de salários, seguidos por mais R$ 30 milhões em operações financeiras no mês seguinte.
Histórico de dificuldades financeiras
A situação financeira do Grêmio não é considerada novidade dentro da história do clube. Em 2003, quando Flávio Obino assumiu a presidência no lugar de José Alberto Guerreiro, encontrou um cenário considerado crítico, com folha salarial superior a R$ 2 milhões mensais e jogadores recebendo mais de 200 mil dólares por mês.
Sem recursos suficientes, a direção reduziu drasticamente os custos, levando a folha para cerca de R$ 500 mil. Apesar das medidas de contenção, a gestão ficou marcada pelo rebaixamento do clube à Série B.
Ainda assim, aquele período também revelou jogadores importantes formados na base, como Cássio Ramos, Lucas Leiva, Carlos Eduardo Marques, Léo Gomes, Felipe Mattioni e Anderson Oliveira.
Posteriormente, o clube ainda passou por administrações como as de Paulo Odone e Duda Kroeff, que assumiram em momentos de dificuldades financeiras.
Odone voltou à presidência entre 2011 e 2012 e, ao final da gestão, concluiu o pagamento do chamado condomínio de credores, mecanismo criado para renegociar dívidas históricas do clube.
Na sequência, Fábio Koff assumiu o comando em 2013 e deixou o cargo com déficit superior a R$ 30 milhões. Já a gestão de Romildo Bolzan Júnior também terminou com o clube no vermelho.
Para dirigentes e analistas do futebol, a situação demonstra que o endividamento faz parte de um ciclo recorrente na administração do clube, que busca equilibrar investimentos no futebol com a necessidade de manter as contas em dia.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
