A visita do governador Eduardo Leite e do vice-governador Gabriel Souza a Cruz Alta, na manhã desta terça-feira (31), foi marcada por inauguração, protestos e questionamentos. O governo do Estado realizou a entrega das novas instalações da Escola Estadual de Educação Básica Margarida Pardelhas, com investimento de R$ 21,4 milhões, porém a obra ainda está longe de ser considerada concluída.
A intervenção anunciada abrange cerca de 8 mil metros quadrados, com 1,6 mil metros quadrados de novas áreas construídas, incluindo salas de aula, biblioteca, laboratório, setor administrativo, sanitários, refeitório, áreas de serviço e quadra coberta. No papel, trata-se de uma das maiores obras recentes na área da educação no município. Na prática, no entanto, o cenário encontrado levanta críticas e dúvidas.
A reportagem esteve no local e constatou que parte significativa da escola permanece em obras. Estruturas importantes, como o ginásio e áreas da antiga parte baixa, ainda estão isoladas por tapumes, impedindo o acesso. Além disso, salas de aula já finalizadas não contam com itens básicos para o conforto de alunos e professores, como ventiladores ou ar-condicionado, em um momento de calor intenso na região.
A situação evidencia um contraste entre o discurso oficial de entrega e a realidade estrutural da instituição, que ainda não oferece condições plenas de funcionamento. Para muitos, a inauguração ocorre de forma antecipada, sem que o investimento anunciado se traduza integralmente em benefícios concretos à comunidade escolar.
Durante o evento, sindicatos como o CPERS Sindicato e o Sindicaixa realizaram protestos, com palavras de ordem como “Fora Leite”. Os manifestantes cobraram explicações do governo sobre a falta de reajuste salarial, destacando que diversas categorias enfrentam mais de uma década de defasagem nos vencimentos.
Os protestos foram mantidos à distância, com os manifestantes isolados atrás de grades, sem acesso direto ao governador, que chegou ao local e rapidamente ingressou nas dependências da escola. A medida gerou críticas quanto à falta de diálogo com os trabalhadores e reforçou o clima de tensão durante a agenda oficial.
Além das reivindicações salariais, também surgiram acusações de que a visita teria caráter político, com o objetivo de projetar o vice-governador e aliados locais em meio ao cenário pré-eleitoral. Para os manifestantes, a entrega de uma obra incompleta reforça a percepção de uso político de investimentos públicos.
A história da escola Margarida Pardelhas é marcada por mais de uma década de dificuldades. Em abril de 2013, o prédio antigo foi interditado devido a problemas estruturais e, meses depois, demolido. Na época, cerca de 1,1 mil alunos precisaram ser realocados, inicialmente em espaços cedidos pela Universidade de Cruz Alta. Em 2015, o Estado passou a alugar as dependências do antigo Hospital Fátima para manter as atividades escolares.
Passados mais de dez anos desde a interdição, a comunidade escolar ainda convive com transtornos e agora presencia uma inauguração que, apesar de simbólica, não representa a conclusão efetiva da obra. O caso reacende o debate sobre a gestão de recursos públicos, a prioridade dada à educação e a real efetividade das ações anunciadas pelo governo estadual.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fotos: Fernando Kopper/Rodolfo Augusto S. de Oliveira
