As lavouras de milho destinadas à produção de silagem no Rio Grande do Sul apresentam desempenho variável entre as diferentes regiões do Estado. As condições climáticas foram parcialmente favoráveis nas últimas semanas, com ocorrência de chuvas leves e períodos de tempo estável, o que contribuiu para o desenvolvimento de parte das áreas cultivadas.
De acordo com relatório divulgado pela Emater/RS-Ascar, a diferença de desempenho entre as lavouras está relacionada principalmente à época de implantação das culturas, à disponibilidade de água durante o período reprodutivo e ao nível tecnológico adotado nas propriedades.
Nas áreas semeadas mais cedo, a colheita da silagem já está em andamento ou foi concluída. Nesses casos, o rendimento de massa verde é considerado adequado, favorecido pelo porte elevado das plantas, resultado das chuvas registradas até o início de janeiro.
Por outro lado, em diversas lavouras foi observada redução na proporção de grãos presentes na massa ensilada. A situação está associada à restrição de umidade durante fases importantes do ciclo da cultura, como o pendoamento, a polinização e o início do enchimento dos grãos.
Conforme estimativa da Emater/RS-Ascar, a área destinada ao milho para silagem no Rio Grande do Sul deve alcançar 366.067 hectares, com produtividade média projetada em 38.338 quilos por hectare.
Na região administrativa de Bagé, na Campanha, a colheita das lavouras implantadas em novembro está iniciando. O relatório aponta rendimento adequado de massa verde devido ao bom desenvolvimento das plantas, impulsionado pelas chuvas até o começo de janeiro. No entanto, também foram registrados casos de má formação dos grãos em razão da limitação de umidade durante o período de pendoamento e polinização. Em propriedades com maior nível tecnológico, a produtividade tem alcançado cerca de 45 toneladas por hectare.
Ainda segundo a Emater/RS-Ascar, os cultivos realizados em dezembro começam agora o período reprodutivo, apresentando porte menor. Mesmo assim, há expectativa de formação satisfatória de silagem caso ocorram chuvas nos próximos dias. No município de Aceguá, a ensilagem deve iniciar em breve, embora já existam estimativas de perdas em relação às projeções iniciais devido à falta de precipitação em determinados períodos.
Na região da Fronteira Oeste, a colheita está próxima da conclusão em municípios como Uruguaiana, Itacurubi, Alegrete, Manoel Viana e Santa Margarida do Sul. Em São Gabriel, nas áreas implantadas mais tardiamente, a colheita atinge cerca de 25% dos 900 hectares cultivados. O relatório destaca que a maioria das lavouras apresenta baixo nível tecnológico, com produtividade aproximada de 20 toneladas por hectare.
Na região de Erechim, mais de 95% da área destinada à silagem já foi colhida, com produtividade média de 45 toneladas por hectare. Em Ijuí, as lavouras do segundo cultivo apresentam desenvolvimento considerado adequado. Já na região de Santa Maria, mais de 60% das áreas foram colhidas e cerca de 12% encontram-se no ponto ideal de corte para silagem.
Por fim, na região de Santa Rosa, o plantio do milho destinado à silagem de segunda safra foi concluído. No entanto, a germinação ocorreu de forma irregular em diversas áreas, em razão da falta de umidade no solo e da elevada presença de cigarrinha, fator que tem dificultado o manejo e o desenvolvimento das lavouras.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
