A Justiça Federal condenou 15 pessoas envolvidas no assalto a um avião pagador que transportava R$ 30 milhões pertencentes à Caixa Econômica Federal, ocorrido no Aeroporto Regional Hugo Cantergiani, em Caxias do Sul. A sentença foi proferida pela 3ª Vara Federal de Passo Fundo e publicada no dia 9 de fevereiro.
Dos condenados, 14 receberam penas por organização criminosa, com reclusão que varia de 11 anos e sete meses a 64 anos e oito meses. Também houve condenações por latrocínio e uso de arma de fogo de uso restrito. Um dos réus foi condenado apenas por comunicação falsa de crime.
De acordo com denúncia do Ministério Público Federal, o crime ocorreu em 19 de junho de 2024, quando nove indivíduos, vestidos com fardas da Polícia Federal e utilizando veículos com emblemas do órgão, invadiram a área de pouso do aeroporto. O grupo abordou a aeronave logo após o pouso, antes do início da transferência do dinheiro para o carro-forte da empresa de segurança.
Segundo a acusação, os criminosos estavam armados com armas de alto calibre e trocaram tiros com os seguranças, confronto que resultou na morte de um dos assaltantes. Após renderem a equipe, eles retiraram os valores da aeronave e os transportaram em dois veículos.
Durante a ação, os envolvidos utilizaram explosivos para intimidar os responsáveis pela segurança e mantiveram outros artefatos dentro dos veículos usados no crime. Na fuga, houve novo confronto com equipes da Brigada Militar, que resultou na morte de um sargento. Um dos carros foi abandonado, contendo o corpo de um dos criminosos e R$ 15,6 milhões.
As investigações apontaram ainda que o grupo armazenou armamento em imóveis localizados nos municípios de Alvorada e Igrejinha, além de adulterar veículos com características da Polícia Federal e utilizar placas clonadas. Segundo o MPF, os denunciados possuíam vínculos com facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o grupo Bala na Cara.
Durante a tramitação do processo, foram ouvidas dez vítimas, seis testemunhas de acusação e 16 de defesa, além de 17 réus. O juiz responsável pelo caso destacou a complexidade da investigação e afirmou que as provas demonstraram a atuação de uma organização criminosa estruturada, com planejamento detalhado e treinamento tático.
A decisão apontou que foi comprovada a subtração de R$ 14,4 milhões do total transportado na aeronave, valor posteriormente ressarcido pela empresa de segurança à Caixa Econômica Federal. Apesar das prisões, o montante levado não foi recuperado.
Na sentença, o magistrado ressaltou que o uso de explosivos, a falsificação de símbolos da Polícia Federal e a adulteração de veículos fizeram parte de uma estratégia logística planejada para facilitar a execução do assalto e dificultar a identificação dos envolvidos.
Ao final do julgamento, a Justiça Federal considerou parcialmente procedente a ação, absolvendo quatro acusados e condenando 15. As penas incluem desde um mês de detenção por comunicação falsa de crime até mais de 64 anos de reclusão para os envolvidos nos delitos mais graves, como organização criminosa, latrocínio, uso de explosivos e porte ilegal de armas de uso restrito.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
